Fundos públicos e desenvolvimento sustentável ganham destaque em fórum em Brasília
11ª edição do Fórum do Desenvolvimento reúne especialistas para discutir crédito e desenvolvimento sustentável no país
247 - Os fundos públicos ganham destaque em fórum em Brasília ao reunir especialistas para discutir crédito e desenvolvimento sustentável no país, com foco na modernização dos instrumentos financeiros diante de desafios econômicos e climáticos.
As discussões ocorrem na 11ª edição do Fórum do Desenvolvimento, realizado na capital federal e promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e pelo Banco do Brasil, com apoio da Finep e da Cooperação Alemã (GIZ), conforme informações do evento.
Financiamento e desafios climáticos
Na abertura, a presidenta da ABDE e diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, destacou que o financiamento estruturante segue como um dos principais desafios do país. Segundo ela, é necessário avançar na criação de instrumentos mais eficazes e inovadores, sobretudo diante da intensificação de eventos climáticos extremos.
Ela apontou que a agenda da entidade está centrada no fortalecimento das cidades sustentáveis — com foco em mobilidade, saneamento e moradia — e no aprimoramento dos fundos públicos como instrumentos estratégicos. “Esses fundos permitem maior transparência, focalização e acompanhamento social, sendo essenciais para dar respostas rápidas a situações críticas, como as enchentes no Rio Grande do Sul”, afirmou.
Novas iniciativas e transparência
Entre as iniciativas anunciadas estão o Prêmio ABDE-BID 2026, que busca aproximar academia, setor público e iniciativa privada, e o lançamento do Selo FGO, voltado à promoção de boas práticas e à ampliação da transparência no uso de recursos.
Também foi apresentada a criação do Observatório do Crédito para o Desenvolvimento, plataforma destinada a consolidar dados e análises sobre o uso do crédito no país e seus impactos na economia e na sociedade.
Papel do Sistema Nacional de Fomento
O vice-presidente de Negócios, Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, ressaltou que o cenário global de incertezas, marcado por conflitos geopolíticos e pela emergência climática, exige uma reorientação dos instrumentos financeiros.
Ele destacou que o Sistema Nacional de Fomento reúne 35 instituições e responde por cerca de 70% do crédito para investimento no Brasil. “É essencial manter e aprimorar esse sistema, direcionando recursos também para novas agendas, como a transição climática”, afirmou.
Sasseron também enfatizou a relevância histórica de fundos como o FAT e o FCO, além do papel do Fundo de Garantia de Operações (FGO) na ampliação do acesso ao crédito para micro e pequenas empresas.
Investimento em inovação e tecnologia
O presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, afirmou que o país vive um momento de fortalecimento do investimento produtivo e de avanço na modernização tecnológica. Ele anunciou a capitalização da instituição, que permitirá acessar cerca de R$ 25 bilhões entre 2026 e 2028.
Segundo Elias, programas como o Inovacred serão ampliados, com aumento do limite de crédito e foco em micro e pequenas empresas, além de ações voltadas à redução das desigualdades regionais. “Estamos ampliando a articulação com bancos públicos para fortalecer cadeias produtivas e promover um desenvolvimento mais equilibrado”, afirmou.
Ele também destacou a destinação de R$ 100 milhões para projetos de eficiência energética e produtividade, além da mobilização de cerca de R$ 71 bilhões nos últimos anos para iniciativas de inovação.
Cooperação internacional e inovação financeira
O diretor da GIZ Brasil, Jochen Quinten, ressaltou a importância da cooperação global diante de desafios como mudanças climáticas, desigualdade e tensões geopolíticas. Segundo ele, o Brasil ocupa posição estratégica na transição ecológica.
Já a representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Annette Kilmer, destacou a necessidade de ambientes de experimentação no financiamento ao desenvolvimento. “Não podemos esperar por modelos perfeitos. Precisamos testar, aprender e ajustar, especialmente diante de desafios como a mudança climática”, afirmou.
O Fórum do Desenvolvimento segue até esta quinta-feira (2), na Arena do Banco do Brasil, em Brasília, reunindo representantes do setor público e privado para aprofundar o debate sobre financiamento e crescimento sustentável no país.


