Galípolo e Renan Calheiros travam embate sobre Banco Master: 'BC não grava Tik Tok e não é palanque'
Clima tenso ocorreu durante sessão da CAE do Senado; Gabriel Galípolo afirmou que BC agiu corretamente ao barrar operação entre Master e BRB
247 - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) protagonizaram um duro embate nesta terça-feira (19) durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
A discussão, segundo o jornal O Globo, ocorreu durante audiência em que Galípolo prestava esclarecimentos sobre a atuação do Banco Central. O clima ficou tenso após Renan afirmar que o presidente da autoridade monetária teria indicado anteriormente que a operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) seria correta.
O negócio acabou vetado pelo Banco Central, que posteriormente decretou a liquidação extrajudicial do banco controlado por Daniel Vorcaro e encaminhou às autoridades indícios de fraude financeira.
Galípolo nega apoio à operação
Galípolo reagiu imediatamente à fala de Renan e negou ter defendido a operação envolvendo o Banco Master. “Não, não... O Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular. Eu não posso fazer isso”, afirmou.
Renan Calheiros insistiu na acusação e declarou que possuía uma gravação que comprovaria a suposta declaração do presidente do BC. “Permita-me, que eu vou lhe mandar a gravação da resposta que o senhor deu aqui nesta comissão”, disse o senador. Nenhum áudio, porém, foi apresentado durante a sessão.
“Não havia o que salvar no Master”
Ao defender a atuação do Banco Central, Galípolo afirmou que a instituição tomou a decisão correta ao barrar a operação entre o Master e o BRB. “A função do Banco Central é tentar salvar a instituição em vez de liquidá-la. No entanto, não havia o que salvar no Master. Por isso, a proibição da venda para o BRB foi correta”, declarou.
O presidente do BC também destacou que a posição da autoridade monetária já era amplamente conhecida. “Hoje, só quem não tem TV a cabo ou internet pode achar que o Banco Central queria aprovar essa operação”, afirmou.
Autonomia do BC entra no debate
Durante o bate-boca, Galípolo relembrou que, enquanto a operação era analisada, surgiram propostas no Congresso para permitir a demissão do presidente e dos diretores do Banco Central, cuja autonomia operacional é garantida por lei desde 2019.
Renan Calheiros voltou a criticar a postura pública do BC no episódio e classificou como “gravíssima” a ausência de manifestações mais contundentes da instituição. “A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC, e isso não foi feito. Isso é gravíssimo”, afirmou.
"Banco Central não é palanque"
Galípolo rebateu dizendo que o papel do Banco Central não é atuar por meio de redes sociais ou manifestações midiáticas.
“Ela foi pedagógica. No dia seguinte, o Banco Central teve a coragem de rejeitar a operação entre BRB e Master. O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque”, declarou.
O presidente do BC também afirmou que busca evitar a politização da autoridade monetária. “O Banco Central toma a decisão correta, independentemente de quem está jogando pedra e fazendo barulho”, disse.
Nos momentos finais da audiência, o clima na Comissão de Assuntos Econômicos se deteriorou ainda mais. Em meio a interrupções e falas simultâneas, Galípolo reclamou da dificuldade para concluir suas respostas. “Eu não consigo falar. Gente, eu queria só um minuto para falar”, protestou.



