Governo discutiu alta do petróleo, mas não fará intervenção na Petrobras, diz Silveira
Ministro Alexandre Silveira afirma que governo discute impactos da guerra no Irã, mas garante que não haverá interferência nos preços dos combustíveis
247 - O governo federal discutiu os efeitos da recente alta do petróleo internacional em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não pretende interferir na política de preços da Petrobras. A garantia foi dada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao comentar os desdobramentos do aumento do preço do petróleo em meio ao cenário internacional.
Segundo informações da agência Reuters, integrantes do governo avaliaram possíveis medidas para lidar com os impactos do aumento do petróleo, impulsionado pelos desdobramentos da guerra no Irã. Apesar da pressão sobre os combustíveis, o ministro afirmou que o governo não pretende interferir na estatal.
Durante audiência em uma comissão da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11), Silveira ressaltou que qualquer ação precisa respeitar a governança da companhia. “Medidas tomaremos sobre algo que não depende da gente, mas que nós não seremos irresponsáveis de fazer intervenção em empresa de capital aberto (Petrobras), listada na bolsa de Nova York, e que tem governança própria”, afirmou.
O ministro também criticou interpretações de que o governo estaria planejando interferir na companhia. Segundo ele, há um “equívoco” de quem acredita que haverá intervenção na Petrobras em relação aos preços dos combustíveis.
Impactos da alta do petróleo
A discussão ocorre em um momento de pressão nos preços internacionais do petróleo, reflexo das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Esse cenário já começa a provocar reflexos no mercado brasileiro, com revendedores repassando custos aos consumidores nos postos de combustíveis.
Mesmo sem alterar seus preços recentemente, a Petrobras enfrenta um ambiente de aumento no custo da commodity. No Brasil, cerca de 25% do diesel consumido é importado, o que expõe o mercado doméstico às oscilações do preço internacional.
Além disso, algumas refinarias privadas no país seguem diretamente as variações do petróleo, o que contribui para o aumento nos valores praticados nos postos.
Reunião do CNPE é adiada
Durante a audiência na Câmara, Silveira também informou que a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), inicialmente prevista para ocorrer em 12 de março, foi adiada para o dia 19.
De acordo com o ministro, o encontro deverá aprovar diretrizes para a realização de leilões de energia eólica offshore no país. O CNPE é um órgão que assessora a Presidência da República em decisões estratégicas sobre política energética.
Representantes de setores empresariais haviam solicitado que o conselho também analisasse a possibilidade de aumentar a mistura de biodiesel no diesel, como forma de reduzir a dependência do combustível importado, além de discutir regras para a importação do biocombustível. Silveira, porém, não confirmou se esses temas serão incluídos na pauta da reunião.
Pressão sobre o diesel
A alta recente do diesel já vem sendo observada no mercado brasileiro. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log indicam que o valor médio do diesel S-10 nos postos do país subiu 7,72% na primeira semana de março em comparação com a semana anterior, alcançando R$ 6,70 por litro.
O aumento ocorre em meio à elevação dos custos internacionais e ao repasse realizado por revendedores. No Rio Grande do Sul, denúncias de escassez de diesel para o agronegócio levaram a Petrobras a prever a realização de um leilão do combustível no Estado.


