ANP afirma que não há falta de diesel e aponta entraves contratuais no setor
Diretor-geral Artur Watt diz que abastecimento nacional segue regular, apesar de queixas de agentes sobre dificuldades na entrega do combustível
247 - O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Artur Watt, afirmou nesta terça-feira (10) que o Brasil não enfrenta falta física de diesel no momento. Segundo ele, o abastecimento nacional permanece regular e não há indícios de gargalos logísticos que comprometam a oferta do combustível no país.
A declaração foi feita durante um workshop sobre a abertura do mercado de gás natural, realizado na sede da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Apesar de relatos de alguns agentes do setor sobre dificuldades para receber o produto, Watt afirmou que a agência não identificou problemas estruturais de fornecimento.
“A gente não mapeou falta de produto no Brasil. Não estamos visualizando nenhum gargalo físico para o abastecimento nacional no momento. A gente segue acompanhando a situação com atenção, mas não vemos risco de desabastecimento”, declarou.
Segundo o diretor da ANP, parte das reclamações apresentadas por transportadores revendedores retalhistas (TRR) está relacionada a questões contratuais entre empresas do setor, e não à escassez do combustível. O sindicato da categoria relatou dificuldades para que o diesel chegue a esses operadores.
“Mas estamos em conversas próximas com os agentes para entender as queixas, principalmente dos TRR (Transportador, Revendedor, Retalhista). O sindicato deles fez a queixa de que não estão conseguindo [fazer] chegar produto neles. A gente está vendo que tem questões contratuais, de ordem de recebimento. A gente está muito próximo, analisando e buscando atuar para que não falte produto”, afirmou.
Watt acrescentou que a ANP acompanha de perto a situação e pretende atuar, se necessário, para garantir que o combustível esteja disponível para todos os agentes do mercado.
Estoques e cenário internacional
O dirigente também comentou a volatilidade recente nos preços do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra no Oriente Médio. Questionado sobre possíveis impactos no mercado brasileiro e sobre a diferença entre os preços internacionais e os valores praticados pela Petrobras nas refinarias, Watt disse que o abastecimento segue normal.
Segundo ele, tanto a Petrobras quanto outras refinarias que operam no país mantêm níveis regulares de estoque e realizam entregas dentro da normalidade.
“Não vemos problema de abastecimento no mercado”, afirmou.
Watt ressaltou que o atual cenário global é marcado por grande incerteza, o que dificulta a elaboração de previsões sobre a evolução do mercado de combustíveis no curto prazo.
Importações e monitoramento
O diretor da ANP também comentou o papel das importações no abastecimento brasileiro. Atualmente, entre 20% e 30% do diesel consumido no país vem do exterior, o que reforça a importância da infraestrutura logística e da atuação de diferentes agentes no mercado.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de importadores reduzirem suas operações caso os preços internos estejam abaixo das referências internacionais, Watt afirmou que a agência não comenta hipóteses ou especulações. Ele destacou que o mercado brasileiro de combustíveis é aberto e dispõe de condições para importação.
Em relação ao monitoramento de estoques, Watt explicou que a ANP recebe informações por meio de sistemas informatizados e acompanha permanentemente eventuais reclamações sobre dificuldades no recebimento do produto.
Segundo ele, nenhuma queixa é ignorada e, quando necessário, equipes da agência são enviadas para verificar a situação diretamente no mercado e avaliar o cumprimento de contratos.
“Temos equipe em campo no Sul do país, sempre nesse sentido de acompanhar o mercado”, disse, mencionando a região que concentra o maior número de relatos recentes sobre dificuldades de entrega do diesel.


