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Guilherme Mello vai para Ministério do Planejamento e fica fora do Banco Central

Nomeação para secretaria-executiva altera equipe econômica; Mello também é cotado para assumir a presidência do conselho de administração da Petrobras

Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello (Foto: Washington Costa/MF)

247 - A nomeação de Guilherme Mello para a secretaria-executiva do Ministério do Planejamento altera a configuração da equipe econômica do governo federal e o retira da disputa por uma vaga na diretoria do Banco Central, em meio a mudanças estratégicas antes do período eleitoral. Segundo a Bloomberg, o novo ministro do Planejamento, Bruno Moretti, deve indicar Mello para o cargo, consolidando uma reformulação na área econômica do governo.

Reorganização da equipe econômica

Atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello também é cotado para assumir a presidência do conselho de administração da Petrobras. Sua transferência para o Planejamento representa uma mudança relevante na disputa interna por posições estratégicas.

O economista chegou a ser indicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para uma das vagas abertas no Banco Central. No entanto, enfrentou resistência de agentes do mercado financeiro, o que contribuiu para sua saída da disputa.

Perfil e visão econômica

Com 42 anos, Mello integra um grupo de economistas que defendem maior protagonismo do Estado na economia, com ênfase em investimentos públicos para impulsionar a produção e reduzir desequilíbrios entre oferta e demanda. Essa abordagem contrasta com estratégias centradas exclusivamente na política monetária.

A mudança ocorre em um contexto de cautela na condução da política de juros. A autoridade monetária iniciou um ciclo de flexibilização, condicionado aos efeitos inflacionários de fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, que pressionou os preços globais de combustíveis.

Impacto político e fiscal

A reformulação da equipe econômica acontece a poucos meses das eleições. Parte dos integrantes deixou seus cargos para disputar mandatos, incluindo Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e Simone Tebet, que deixou o Ministério do Planejamento para concorrer ao Senado.

Com isso, Bruno Moretti, no Planejamento, e Dario Durigan, na Fazenda, assumem protagonismo na definição da estratégia fiscal do governo. A chegada de Mello tende a ampliar a influência do Planejamento nas decisões econômicas, área que anteriormente estava concentrada na Fazenda.

Antes de assumir o ministério, Moretti já participava das discussões fiscais como representante da Presidência na junta orçamentária desde 2023. Já Mello atuou na campanha presidencial de Haddad em 2018 e contribuiu na elaboração do programa econômico de Lula nas eleições de 2022.

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