Haddad diz ter tentado lançar um Plano Nacional de Desenvolvimento, mas afirma que a ideia teve “pouca aderência”
Em entrevista ao Opera Mundi, ele confidenciou a tentativa frustrada de lançar um novo PND no governo Lula 3
247 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que tentou impulsionar, no início do atual governo do presidente Lula, a elaboração de um Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) voltado para o médio e longo prazo, mas disse que a proposta acabou tendo “pouca aderência” dentro do próprio governo. A declaração foi feita em entrevista concedida ao jornalista Breno Altman, do Opera Mundi, na sexta-feira (13).
Durante a conversa, Haddad relatou que procurou apresentar uma proposta estratégica capaz de orientar o desenvolvimento econômico brasileiro de forma integrada entre diferentes ministérios. Segundo ele, a ideia envolvia a construção de um planejamento que ultrapassasse o horizonte imediato de governo.
"Eu vou te confidenciar aqui uma coisa. Eu tentei, no começo do governo, apresentar algo que pudesse ser um projeto nacional de desenvolvimento. E essa ideia teve pouca aderência dentro do governo. Entendeu? Pouca aderência", afirmou.
Proposta de planejamento de longo prazo
Na entrevista, Haddad explicou que a proposta consistia em formular um plano de desenvolvimento que estabelecesse metas estruturais para o país ao longo de diferentes períodos, incluindo horizontes mais longos do que o ciclo eleitoral.
"Teve um início de conversa, boa conversa, sobre fazer um plano de desenvolvimento para o país de médio e longo prazo. Vamos pensar quatro anos, pensar 15, pensar 20 anos para frente", disse.
Segundo o ministro, a intenção era criar uma diretriz estratégica capaz de orientar políticas públicas de forma mais articulada, conectando áreas-chave do Estado brasileiro.
Coordenação entre ministérios
Haddad também destacou que o plano dependeria de uma coordenação mais forte entre diferentes pastas do governo federal, superando a fragmentação institucional que muitas vezes limita a eficácia das políticas públicas.
Ele mencionou a necessidade de integrar ações de ministérios como Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento e Meio Ambiente.
"Teve pouca aderência a ideia de que a gente podia, efetivamente, coordenar estrategicamente as ações do Ministério de Minas e Energia, Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério do Desenvolvimento, Ministério do Meio Ambiente, coordenar as ações, desfragmentar a atuação das pastas para criar um modelo de desenvolvimento", afirmou.
Debate sobre o modelo econômico
Em determinado momento da entrevista, Breno Altman questiona se a construção de um plano dessa natureza poderia representar uma transição para fora do modelo neoliberal.
Ao responder, Haddad avalia que essa transformação estrutural não acabou se consolidando.
– Seria o que determinaria a transição para fora do modelo neoliberal? – questionou Altman
– Isso. E eu acho que essa transição não aconteceu – respondeu o ministro.
Ele ponderou, entretanto, que o governo ainda promove avanços relevantes e enfrenta desafios complexos após o período anterior.
"Eu acredito que, na minha opinião, tinha espaço para a gente pensar. Mas não acho que nós fizemos pouco", afirmou, ao defender que o governo do presidente Lula vem conduzindo iniciativas importantes na reconstrução institucional e econômica do país.


