Indicações de Otto Lobo e Igor Muniz para a CVM são “bons nomes técnicos”, afirma Abrasca
Associação diz que escolhas feitas pelo presidente Lula reduzem preocupação com a falta de quórum no colegiado
247 – A Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) declarou apoio às indicações de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de Igor Muniz para a diretoria da autarquia. As nomeações foram feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicadas em edição extra do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (7).
A informação foi divulgada pelo Valor Econômico, que ouviu o presidente da Abrasca, Pablo Cesário, sobre o impacto das escolhas para o funcionamento do principal órgão regulador do mercado de capitais no Brasil.
“São certamente duas pessoas muito técnicas, já comprovado com longuíssima experiência no mercado”, afirmou Cesário, ao avaliar as indicações para o comando do órgão que regula e fiscaliza companhias abertas, fundos e agentes do sistema financeiro.
Indicações buscam dar estabilidade à CVM
Otto Lobo já vinha exercendo a presidência de forma interina, mas seu mandato como diretor terminou no final de 2025. Para a Abrasca, a confirmação de novos nomes para a presidência e a diretoria ajuda a reduzir a instabilidade institucional provocada pela composição incompleta do colegiado.
Segundo Cesário, havia uma preocupação crescente entre as companhias listadas na Bolsa diante da “incompletude do colegiado, que tem muitos desafios regulatórios e de ‘enforcement’, de supervisão de mercado”.
Com as novas indicações, a entidade considera que o cenário melhora, mas ainda está longe do ideal. “Agora, temos apenas uma vaga”, alertou.
Abrasca cobra preenchimento rápido da vaga restante
O presidente da Abrasca afirmou que a cadeira que segue em aberto precisa ser ocupada rapidamente, porque o funcionamento pleno do colegiado é essencial para que a CVM enfrente prioridades que se tornaram urgentes com a evolução do mercado.
A principal delas, segundo Cesário, é o reforço da infraestrutura e da capacidade tecnológica da autarquia. Para ele, o foco deve estar no “fortalecimento da capacidade de tecnologia e de supervisão do mercado pela CVM”, como forma de aumentar a eficiência regulatória e aprimorar mecanismos de fiscalização.
Tecnologia e fiscalização viram tema de orçamento público
A Abrasca também pretende levar ao debate público a necessidade de ampliar investimentos na CVM. Cesário indicou que a entidade pretende defender o aumento do orçamento da autarquia em discussões futuras sobre contas públicas.
A avaliação é que, com o avanço de produtos financeiros, novas plataformas e a sofisticação do mercado, o órgão regulador precisa de estrutura mais robusta para dar conta de acompanhar operações, supervisionar condutas e garantir regras claras para emissores e investidores.
O que muda para o mercado de capitais
A sinalização de apoio da Abrasca tende a ser recebida como um indicativo de confiança do setor produtivo e das companhias abertas nas escolhas feitas pelo governo para a CVM. Ao mesmo tempo, a cobrança pelo preenchimento da vaga restante reforça a pressão para que o colegiado esteja completo e com capacidade plena de decisão em um momento de intensas mudanças regulatórias e expansão do mercado de capitais no Brasil.
Com Otto Lobo e Igor Muniz, a entidade aposta em uma condução mais estável, técnica e capaz de enfrentar os desafios de supervisão, fiscalização e modernização tecnológica que hoje estão no centro do debate regulatório.


