Jovens e população de baixa renda preveem melhora econômica, diz BTG/Nexus
Na média nacional, 44% dos entrevistados afirmam esperar alguma melhora em sua situação financeira até dezembro
247 - Às vésperas das eleições, os brasileiros mais jovens e aqueles com menor renda demonstram maior confiança em uma melhora da situação financeira até o fim de 2026. É o que revela um recorte exclusivo da mais recente pesquisa BTG/Nexus, divulgado pela coluna da jornalista Daniela Lima, do UOL.
Segundo o levantamento, a expectativa de melhora econômica é mais intensa entre eleitores de 16 a 24 anos e entre pessoas que recebem até um salário mínimo. O cenário sugere que os segmentos mais vulneráveis da população enxergam perspectivas mais favoráveis para os próximos meses, em contraste com grupos de renda mais elevada.
Na média nacional, 44% dos entrevistados afirmam esperar alguma melhora em sua situação financeira até dezembro. Entre os jovens de 16 a 24 anos, entretanto, esse percentual sobe para 59%, indicando um nível de confiança significativamente superior ao registrado no conjunto da população.
O recorte por faixa de renda também evidencia diferenças importantes. Entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo, 55% acreditam que sua vida financeira irá melhorar. Já entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, o índice cai para 36%.
Os dados mostram ainda que os desempregados são o grupo mais otimista. Nesse segmento, 64% dos entrevistados projetam uma melhora econômica, sendo 33% muito otimistas e 31% moderadamente otimistas. Entre os trabalhadores informais da População Economicamente Ativa (PEA), o percentual de expectativas positivas chega a 52%. No grupo dos trabalhadores formais, o índice é de 41%.
O resultado é divulgado em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica iniciativas voltadas ao alívio financeiro da população. Entre as medidas destacadas estão a nova versão do programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, e a proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos.
Outro tema explorado por aliados do governo é o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, pauta que vem sendo apresentada como uma alternativa para ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores com carteira assinada.
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados refletem uma percepção mais positiva justamente entre os grupos que enfrentam maiores desafios econômicos.
“O levantamento aponta que as expectativas de melhora financeira estão mais concentradas nos segmentos socialmente mais vulneráveis e na população mais jovem. Esse comportamento indica que as parcelas que hoje operam com margens econômicas reduzidas ou que se encontram fora do mercado formal projetam uma recuperação mais acentuada no próximo período, enquanto as classes de maior renda e estabilidade formal tendem a prever a manutenção do quadro atual”, afirmou.
A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.017 pessoas por telefone entre os dias 12 e 14 de junho. Além dos indicadores econômicos, a rodada mais recente do levantamento apontou uma ampliação da vantagem do presidente Lula em um cenário eleitoral testado contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com os dados, a diferença entre os dois, que era de três pontos percentuais em março, alcançou nove pontos percentuais na pesquisa mais recente.



