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Relatório chinês aponta Novo PAC como motor da liderança do Brasil em infraestrutura entre países lusófonos

Levantamento da CHINCA destaca planejamento, energia limpa, transportes, 5G e autonomia nacional como diferenciais do programa brasileiro

Lula em evento do PAC (Foto: Ricardo Stuckert)
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247 – O Novo PAC foi apontado como o principal vetor da liderança do Brasil em infraestrutura entre os países de língua portuguesa, segundo relatório internacional publicado em junho de 2026 pela China International Contractors Association (CHINCA) e pela seguradora estatal China Export and Credit Insurance Corporation.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Gov, o levantamento coloca o Brasil na primeira posição do Índice de Desenvolvimento de Infraestrutura de Países de Língua Portuguesa (BRIDi), com 129 pontos, um ponto acima do resultado registrado em 2025. O estudo analisa nove nações lusófonas e atribui o desempenho brasileiro à expansão dos investimentos em energia elétrica, transportes, infraestrutura digital e ao papel estruturante do Novo PAC.

O relatório destaca que o programa brasileiro não apenas elevou o volume de investimentos, mas também fortaleceu a capacidade nacional de orientar projetos estratégicos com maior autonomia. Esse aspecto, segundo o levantamento, diferencia o Brasil de outros países da comunidade lusófona, mais dependentes de financiamento externo e de ciclos internacionais para viabilizar suas carteiras de infraestrutura.

Para o secretário especial do Novo PAC da Casa Civil da Presidência da República, Roberto Garibe, o reconhecimento internacional confirma a consistência da política pública conduzida pelo governo brasileiro. "O Novo PAC reafirma o compromisso desta gestão com uma infraestrutura moderna, integrada e orientada para o desenvolvimento do país. O reconhecimento do Brasil como líder em infraestrutura entre os países de língua portuguesa demonstra que investimentos planejados, executados com continuidade e voltados para resultados concretos fortalecem nossa capacidade de crescer, atrair investimentos e gerar oportunidades para a população", afirmou.

Energia limpa impulsiona a liderança brasileira

A transição energética aparece no centro das projeções do BRIDi para o Brasil em 2026. O índice aponta crescimento esperado de 23,4% na capacidade instalada de energia eólica e solar em relação ao ano anterior, consolidando o país como um dos polos de expansão renovável entre as economias lusófonas.

Dois projetos na Bahia são citados como símbolos desse avanço: o complexo fotovoltaico Rui Barbosa, com 400 MW, e o parque eólico Serra do Assuruá, com 846 MW. Juntos, os empreendimentos somam 1.246 MW de energia limpa conectada à rede elétrica.

O relatório também destaca a construção de corredores de transmissão de alta tensão entre o Nordeste, principal região produtora de energia renovável do país, e os centros de consumo do Sudeste. A integração entre geração e transmissão é apresentada como fator essencial para ampliar a segurança energética e reduzir gargalos estruturais.

Segundo o documento, a participação das fontes renováveis não hídricas na matriz elétrica brasileira deve alcançar 39% em 2026, ante 32% em 2024. Esse avanço reforça o papel do Novo PAC na reorganização da infraestrutura energética nacional, combinando expansão da oferta, diversificação da matriz e planejamento de longo prazo.

Transportes, ferrovias e portos ganham escala

Na mobilidade e na logística, o relatório identifica uma carteira robusta de projetos vinculados ao Novo PAC. São Paulo aparece como destaque, com recorde histórico de investimentos em trilhos, somando R$ 79,9 bilhões.

A ferrovia intercidades São Paulo–Campinas também é citada entre os principais projetos em andamento, com investimento de R$ 142 bilhões. A obra integra a estratégia de ampliação da mobilidade regional e de modernização do transporte ferroviário de passageiros.

No plano federal, o levantamento menciona o lançamento de oito licitações ferroviárias, com traçados que somam 9 mil quilômetros e R$ 140 bilhões em investimento direto. A expansão da malha ferroviária é tratada como um dos pilares para aumentar a eficiência logística, reduzir custos de transporte e melhorar a integração produtiva do território nacional.

Nos portos, nove projetos de modernização foram aprovados, com investimentos de R$ 5,1 bilhões. A atualização da infraestrutura portuária é apresentada como parte do esforço para ampliar a competitividade do comércio exterior brasileiro e destravar gargalos em cadeias estratégicas.

5G e data centers verdes ampliam a transformação digital

O BRIDi também aponta a expansão do 5G para o interior do Brasil como um dos eixos de modernização impulsionados pelo Novo PAC. O relatório destaca especialmente a chegada das redes ao Centro-Oeste agrícola, região em que a conectividade tem impacto direto sobre a automação, o monitoramento remoto e a redução de perdas na cadeia de abastecimento de alimentos.

A infraestrutura digital é tratada no documento como componente essencial da nova base produtiva do país. A conectividade em áreas agrícolas e logísticas amplia a capacidade de gestão em tempo real, melhora a produtividade e favorece a integração entre produção, transporte e distribuição.

Outro ponto ressaltado pelo relatório é a implantação de grandes data centers verdes em São Paulo e Fortaleza, alimentados diretamente por energia solar. A combinação entre capacidade computacional e energia renovável é apresentada como um diferencial competitivo do Brasil na América Latina.

Segundo o levantamento, essa fusão entre infraestrutura limpa e transformação digital reflete as diretrizes do Novo PAC para setores estratégicos e fortalece a posição brasileira em uma economia cada vez mais dependente de dados, energia e conectividade.

Brasil lidera demanda e temperatura de mercado

Além da primeira colocação no índice geral, o Brasil também lidera os subíndices de demanda e temperatura de mercado. No indicador de demanda, o país alcança 161 pontos. No de temperatura de mercado, chega a 133 pontos, os maiores resultados entre os nove países lusófonos avaliados.

Para o BRIDi, esses números refletem diretamente o volume de projetos em licitação e execução no âmbito do Novo PAC. A combinação entre carteira ativa, planejamento público e capacidade de execução contínua aparece como um dos principais fatores de diferenciação do Brasil.

O relatório compara a trajetória brasileira à de outros países de língua portuguesa. Moçambique aparece na segunda posição do ranking, com 118 pontos, impulsionado por projetos de energia e pelo apoio de instituições financeiras multilaterais. Angola ocupa o terceiro lugar, com 115 pontos, apoiada por avanços no corredor ferroviário de Lobito e na expansão solar no sul do país.

A diferença apontada pelo estudo está na estrutura do modelo brasileiro. Enquanto outras nações dependem mais fortemente de financiamento externo e de parcerias com empreiteiras estrangeiras, o Brasil dispõe de uma política pública própria de infraestrutura, com horizonte de longo prazo e capacidade de execução permanente.

Para associações como a CHINCA, que orienta investimentos de construtoras em mais de 70 países, esse tipo de sinalização distingue mercados estruturados de economias mais vulneráveis às oscilações externas. Nesse contexto, o Novo PAC é apresentado pelo relatório como um instrumento de desenvolvimento firme, planejado e capaz de ampliar a confiança internacional na infraestrutura brasileira.

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