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Lula critica corte de só 0,25 ponto na Selic

Presidente diz que redução poderia ser maior e cobra Banco Central por estímulo à economia

Presidente Lula em Brasília 11/2/2026 REUTERS/Mateus Bonomi (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (19) a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto percentual. A declaração foi feita durante a 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, em meio a debates sobre crescimento econômico e geração de empregos.

A fala ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar, na quarta-feira (18), o corte da Selic para 14,75% ao ano, na segunda reunião de 2026. A redução marcou a primeira queda da taxa desde maio de 2024, após um longo período de estabilidade.

Lula critica decisão do Banco Central

Durante o discurso, o presidente afirmou que esperava uma redução mais significativa dos juros. “Eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro em pelo menos 0,5 ponto, e baixou só 0,25, dizendo que é por causa da guerra”, declarou.

Em tom crítico, Lula questionou a justificativa apresentada. “Porra, essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, afirmou.

Segundo ele, o governo federal tem adotado medidas para estimular a economia, o que exigiria uma política monetária mais alinhada. “Estamos fazendo um sacrifício que vocês não têm noção para fazer a economia crescer, para gerar emprego, para aumentar o salário das pessoas”, disse.

Contexto da decisão do Copom

O Banco Central justificou o ritmo mais cauteloso de corte da Selic com base em um cenário de maior incerteza econômica. Nos últimos dias, houve piora no balanço de riscos, associada principalmente à alta do preço do petróleo no mercado internacional.

O barril, que girava em torno de US$ 70, ultrapassou os US$ 100 nas últimas semanas, pressionando expectativas de inflação e impactando decisões de política monetária.

Elogio a Haddad e à reforma tributária

No mesmo discurso, Lula elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que está de saída do cargo, e destacou a aprovação da reforma tributária como um marco histórico.

“O Haddad vai passar para a história como o ministro da Fazenda mais exitoso da história desse país. Ele conseguiu uma coisa extraordinária, que foi a gente aprovar uma reforma tributária que há 40 anos se esperava”, afirmou.

A declaração reforça o apoio do presidente à condução da política econômica pelo Ministério da Fazenda, ao mesmo tempo em que amplia as críticas à atuação do Banco Central na definição da taxa de juros.

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