Mercado de trabalho: brasileiros buscam estabilidade financeira, formação e equilíbrio com vida pessoal
Levantamento com 500 profissionais qualificados mostra que metas para 2026 combinam renda, educação continuada e qualidade de vida
247 – Os profissionais brasileiros entram em 2026 com prioridades bem definidas no campo do trabalho: estabilidade financeira, educação continuada e equilíbrio entre carreira e vida pessoal. É o que revela uma pesquisa da consultoria de recrutamento executivo Robert Half, feita com 500 profissionais com qualificação, empregados e também em busca de recolocação, que reuniu percepções e expectativas para o novo ano.
Os dados foram divulgados em reportagem do Valor e indicam que, embora as resoluções de Ano Novo no mercado de trabalho mantenham uma base tradicional — como ganhar mais, crescer e estudar —, há mudanças relevantes na forma como essas metas são encaradas. As respostas sugerem um trabalhador mais estratégico e atento à necessidade de evoluir com o mercado, sem abrir mão de bem-estar e planejamento de longo prazo.
Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul, observa que a busca por crescimento não está mais ligada apenas a ambição ou aumento de renda, mas também à adaptação a um cenário profissional em constante transformação. “Notamos que o desejo por crescimento profissional vem acompanhado de uma postura mais estratégica, o que é muito positivo. Os trabalhadores estão mais atentos ao equilíbrio, à capacidade de aprender e à necessidade de evoluir junto às transformações do mercado”, afirma.
Empregados priorizam renda, qualificação e qualidade de vida
Entre os profissionais que estão empregados, a pesquisa mostra que as principais metas para 2026 reforçam o desejo de segurança econômica e progresso dentro do ambiente corporativo, com uma presença crescente do tema qualidade de vida. As cinco prioridades mais citadas foram:
- Crescimento e estabilidade financeiros (59%)
- Educação continuada (57%)
- Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (45%)
- Avanço na carreira e promoções (39%)
- Exploração de novos ares de carreira (26%)
O levantamento sugere que a educação continuada deixou de ser um “plus” para se tornar uma exigência prática, especialmente em um cenário de transformação tecnológica e reconfiguração de setores inteiros. O avanço profissional, nesse contexto, aparece associado tanto à permanência com estabilidade quanto à possibilidade de mudança — ainda que esse último movimento seja menos expressivo.
Quem busca recolocação coloca habilidades no centro das metas
No grupo de profissionais qualificados que estão em busca de recolocação, a lógica das resoluções muda. A necessidade de recuperar espaço no mercado reforça a urgência por atualização e aquisição de competências. Segundo o levantamento, os principais objetivos desse grupo foram:
- Desenvolvimento contínuo de habilidades (59%)
- Sondagem de novas oportunidades de carreira (43%)
- Crescimento financeiro e estabilidade (42%)
- Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (37%)
- Empreendedorismo e negócios próprios (28%)
Aqui, a qualificação aparece como prioridade absoluta — ainda antes do retorno financeiro. O dado é indicativo de que profissionais que buscam recolocação percebem cada vez mais que o retorno ao mercado depende diretamente da capacidade de se atualizar e de se adaptar às exigências das empresas.
Ao mesmo tempo, chama atenção o percentual relacionado ao empreendedorismo. Ainda que não lidere a lista, ele surge com força, sugerindo que parte dos profissionais vê no trabalho por conta própria uma alternativa real diante das dificuldades do mercado formal ou como estratégia para ampliar renda e autonomia.
A armadilha das resoluções: metas que se perdem ao longo do ano
Mantovani alerta que definir objetivos é apenas o primeiro passo. O risco maior, segundo ele, é a interrupção do esforço ao longo do tempo — algo que costuma acontecer com frequência quando se trata de metas clássicas de fim de ano.
Ele enfatiza que consistência e ritmo são determinantes para transformar intenção em resultado: “Disciplina e perseverança são fundamentais para transformar desejo em conquista. Mesmo que a passos curtos, o importante é se movimentar”, recomenda.
O recado vale tanto para quem pretende crescer dentro da empresa quanto para quem precisa recomeçar. A diferença, na prática, está na urgência. Para quem busca recolocação, cada mês pode significar uma oportunidade perdida; para quem está empregado, a falta de ação pode resultar em estagnação em um mercado cada vez mais seletivo.
2026 pode abrir oportunidades para quem reduz “gaps” das empresas
O diretor-geral da Robert Half afirma que o mercado de trabalho em 2026 pode oferecer boas oportunidades, especialmente para profissionais que investirem em habilidades alinhadas às necessidades reais das empresas. Segundo ele, a tendência é favorecer quem consegue preencher lacunas de qualificação — os chamados “gaps” — em áreas onde há demanda e dificuldade de contratação.
Nesse cenário, metas como educação continuada e desenvolvimento de habilidades deixam de ser apenas resoluções simbólicas e se tornam estratégia concreta de sobrevivência e avanço profissional.
Retrato do trabalhador em 2026: estratégia, aprendizado e busca por equilíbrio
A pesquisa reforça a imagem de um trabalhador mais consciente sobre suas prioridades e limites. O eixo central das resoluções combina estabilidade financeira e formação profissional, enquanto o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho se consolida como elemento estruturante das decisões de carreira.
Mais do que promessas de virada de ano, as respostas mostram um movimento de adaptação: aprender mais, planejar melhor e manter disciplina podem ser os fatores decisivos para atravessar um mercado em transformação e garantir crescimento com sustentabilidade.



