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Mercado externo impulsiona dólar futuro e pressiona ações

A moeda estadunidense ganhou força ante outras divisas na esteira de dados econômicos melhores do que o esperado nos EUA

Um funcionário segura notas de dólar americano em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia, em 9 de abril de 2025 (Foto: Willy Kurniawan/Reuters)

Reuters - O dólar futuro negociado na B3 -- o mais líquido no mercado brasileiro -- ganhou força durante a tarde desta quarta-feira pós-Carnaval, em sintonia com o recuo do Ibovespa e o avanço firme da moeda norte-americana também no exterior.

Em uma sessão com duração reduzida, iniciada às 13h, o contrato de dólar futuro para março subia 0,36% às 17h52 na B3, aos R$ 5,2500.

Na terça-feira, com o mercado brasileiro fechado, o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais moedas no exterior, em meio às incertezas em torno das negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã.

Nesta quarta-feira, a notícia de que a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, planeja deixar o cargo antes do fim do mandato, em outubro de 2027, penalizou o euro em relação ao dólar.

Além disso, a moeda norte-americana ganhou força ante outras divisas na esteira de dados econômicos melhores do que o esperado nos Estados Unidos.

O Departamento de Comércio norte-americano informou que os pedidos de bens de capital não relacionados à defesa, excluindo aeronaves -- um indicador importante dos gastos empresariais --, aumentaram 0,6%, acima da previsão de 0,4% dos economistas consultados pela Reuters.

Já o Federal Reserve informou que a produção industrial aumentou 0,6% no mês passado, o maior ganho desde fevereiro de 2025, após permanecer estável em dezembro, superando a estimativa de 0,4%.

Às 17h51, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,62%, a 97,726.

Neste cenário, o dólar se firmou em alta no Brasil durante a tarde, em paralelo ao recuo do Ibovespa em meio aos ajustes na volta do Carnaval.

"Alguma hora o investidor precisa colocar um pouco de dinheiro no bolso. E com a bolsa batendo recordes sequenciais e chegando em 190 mil pontos, eu acho até que demorou", comentou durante a tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, ao justificar a pressão de alta para o dólar no Brasil.

"(Mas) a realização é um episódio pontual e agudo. Não afeta a tendência de médio prazo", acrescentou.

Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado brasileiro passou nesta quarta-feira por um processo de correção de preços, com a saída de investidores da bolsa impactando o câmbio.

"Você vê este movimento (de investidores) saindo, e o dólar acaba acompanhando", pontuou.

Internamente, os agentes estiveram atentos ainda às notícias sobre a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição controlada por Augusto Lima, ex-sócio do Master, por comprometimento de sua situação econômico-financeira e descumprimento de normas.

Em outra frente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente a lei que estabelece reajuste de salários para servidores da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Lula bloqueou trechos que previam escalonamento dos reajustes até 2029 e pagamentos que poderiam levar a remunerações superiores ao teto do funcionalismo público, informou o Planalto. Agora, o Congresso decidirá se mantém ou derruba os vetos.

(Por Fabrício de Castro)

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