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Mercado prevê inflação abaixo de 4% em 2026, diz Boletim Focus

Projeção do mercado financeiro indica desaceleração dos preços, Selic em recuo e crescimento econômico moderado nos próximos anos

Sede do Banco Central em Brasília-DF - 29/10/2019 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O mercado financeiro passou a projetar uma inflação inferior a 4% em 2026, sinalizando um cenário de maior controle dos preços no médio prazo. A revisão ocorre em um contexto de política monetária restritiva, após a taxa básica de juros ter encerrado 2025 em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, adotado com o objetivo de conter a pressão inflacionária.

As estimativas constam do boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Banco Central, com base em uma pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. De acordo com o levantamento, a projeção de inflação para 2026 foi reduzida de 4% para 3,99%.

Desde o início de 2025, o Brasil passou a adotar o sistema de meta contínua de inflação, que estabelece um objetivo central de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A revisão das expectativas para 2026 mantém a inflação dentro desse intervalo considerado aceitável pelo Banco Central.

Para os anos seguintes, o mercado manteve suas projeções estáveis. A expectativa de inflação para 2027 segue em 3,80%, enquanto para 2028 e 2029 as estimativas permanecem em 3,50%. A trajetória indica uma convergência gradual dos preços para níveis mais próximos do centro da meta.

A inflação é um dos principais indicadores econômicos por seu impacto direto sobre o poder de compra da população. Em ambientes de alta inflacionária, os preços tendem a subir mais rapidamente do que os salários, afetando de forma mais intensa as famílias de renda mais baixa.

No campo da política monetária, os analistas continuam apostando em um ciclo de redução dos juros ao longo deste ano. Para o fim de 2026, a projeção para a taxa Selic foi mantida em 12,25% ao ano, o que representa uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual. Para o fechamento de 2027, a expectativa segue em 10,50% ao ano. Já para o fim de 2028, a estimativa foi ajustada para cima, passando de 9,88% para 10% ao ano.

As projeções para a atividade econômica indicam um ritmo mais moderado de crescimento. O mercado manteve em 1,80% a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, abaixo dos cerca de 2,25% projetados para 2025. O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2027, a previsão de crescimento também permanece em 1,80%.

No mercado de câmbio, o boletim Focus aponta estabilidade relativa. Para o fim de 2026, a estimativa para a cotação do dólar foi mantida em R$ 5,50, mesmo em um cenário marcado por incertezas e pelo período eleitoral, que historicamente tende a pressionar a moeda norte-americana.

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