Mercosul amplia negociações com Emirados Árabes e Índia
Após avanço com União Europeia, bloco busca novos acordos comerciais enquanto Brasil avalia incertezas nas tarifas dos EUA, relata Tatiana Prazeres
247 - O governo brasileiro, em articulação com os países do Mercosul, iniciou novas frentes de negociação comercial com parceiros estratégicos como Emirados Árabes Unidos e Índia, em um movimento para diversificar mercados após o avanço do acordo com a União Europeia. A informação foi detalhada pela secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, em entrevista à Sputnik Brasil antes do painel do evento Preços Predatórios, promovido pelo Instituto Esfera, na Casa Parlamento, em Brasília (DF).
Segundo a secretária, o acordo com a União Europeia deve começar a gerar efeitos em breve, abrindo espaço para novas iniciativas comerciais do bloco. “Estamos trabalhando em outras frentes negociadoras, como, por exemplo, com os Emirados Árabes Unidos, a expansão do acordo Mercosul-Índia. Enfim, há outros esforços negociadores em curso”, afirmou.
Novas estratégias para ampliar mercados
A ampliação das negociações comerciais ocorre em um contexto de busca por maior inserção internacional do Mercosul. A estratégia inclui tanto a consolidação de acordos já existentes quanto a abertura de novos mercados, considerados fundamentais para impulsionar as exportações brasileiras e reduzir a dependência de parceiros tradicionais.
Nesse cenário, países como Índia e Emirados Árabes surgem como oportunidades relevantes, tanto pelo dinamismo econômico quanto pelo potencial de consumo e investimentos.
Incertezas nas relações com os Estados Unidos
Paralelamente às novas negociações, o Brasil acompanha com cautela o cenário comercial com os Estados Unidos. De acordo com Tatiana Prazeres, a política tarifária americana tem apresentado forte instabilidade, o que dificulta previsões sobre o ambiente de exportação.
“A instabilidade da política comercial americana é considerável, de maneira que ficamos sempre em dúvida sobre qual o status no momento em questão”, explicou.
Atualmente, as exportações brasileiras enfrentam tarifas médias de cerca de 10% para entrada no mercado norte-americano, com exceção de setores sujeitos à chamada Seção 232 — mecanismo de segurança nacional dos EUA — que impõe alíquotas mais elevadas, como no caso do aço.
“Hoje, as exportações brasileiras estão taxadas em basicamente 10% para o ingresso no mercado americano, salvo os produtos que estão sujeitos à Seção 232, a seção de segurança nacional dos Estados Unidos, e aí temos alíquotas mais altas, como, por exemplo para o setor siderúrgico”, detalhou.
Cenário melhor que o ano anterior, mas ainda volátil
Apesar das incertezas, a secretária avalia que o cenário atual representa uma melhora em relação ao ano passado, quando as tarifas chegaram a atingir níveis de até 40% sobre produtos brasileiros.
Ainda assim, Prazeres destacou a necessidade de manter o diálogo contínuo com os Estados Unidos diante da volatilidade do cenário comercial. “É importante manter o diálogo e o engajamento”, afirmou, ressaltando que “a situação é muito fluida”.


