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Opep+ avalia aumento da produção em meio à crise no Golfo

Opep+ discute elevar produção de petróleo. Fontes indicam que a medida teria efeito mais simbólico do que prático

Logo da Opep - Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Foto: Dado Ruvic / Reuters)

247 - A Opep+ discute elevar a produção de petróleo enquanto a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provoca a paralisação do Estreito de Ormuz, principal rota global da commodity, e reduz significativamente a oferta mundial. Apesar da possibilidade de aumento nas cotas, fontes indicam que a medida teria efeito mais simbólico do que prático, diante das limitações operacionais enfrentadas pelos principais produtores, informa a Reuters.

Representantes de oito países do grupo devem se reunir neste domingo (5) para debater os níveis de produção a partir de maio. A proposta surge em um cenário de forte instabilidade, no qual conflitos militares interromperam fluxos essenciais de petróleo e atingiram diretamente a capacidade produtiva de membros-chave da organização.

O fechamento do Estreito de Ormuz desde o fim de fevereiro tem sido apontado como o principal fator da crise. A via marítima é considerada estratégica para o transporte global de petróleo, e sua interrupção afetou exportações de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque — justamente os únicos integrantes da Opep+ com capacidade relevante de ampliar a produção antes do agravamento do conflito.

Outros membros, como a Rússia, também enfrentam dificuldades para elevar a oferta, em razão de sanções ocidentais e danos à infraestrutura decorrentes da guerra na Ucrânia. Paralelamente, países do Golfo relatam impactos severos em suas instalações energéticas, atingidas por ataques com mísseis e drones. Autoridades locais estimam que seriam necessários meses para restabelecer plenamente as operações, mesmo com um eventual cessar-fogo imediato.

Na reunião anterior, realizada em 1º de março, o grupo havia aprovado um aumento modesto de 206 mil barris por dia para abril. Desde então, a situação se agravou consideravelmente. Estimativas indicam que a atual interrupção representa a maior já registrada no fornecimento global de petróleo, com perdas entre 12 e 15 milhões de barris diários — o equivalente a até 15% da oferta mundial.

A escalada da crise também impulsionou os preços do petróleo, que atingiram o maior patamar em quatro anos, próximos de US$ 120 por barril. Segundo o banco JPMorgan, os valores podem ultrapassar US$ 150 caso a interrupção no Estreito de Ormuz se prolongue até meados de maio.

Embora o possível aumento de produção esteja na pauta da reunião, fontes da Opep+ indicam que qualquer decisão terá impacto imediato limitado no mercado. A medida seria interpretada mais como um sinal de prontidão para elevar a oferta assim que as condições logísticas forem normalizadas. A consultoria Energy Aspects classificou a proposta como “acadêmica”, enquanto persistirem as restrições no transporte marítimo da região.

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