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Petrobras e Pemex devem fechar memorando para novos negócios ainda este mês, diz Magda Chambriard

Estatal brasileira iniciará estudos conjuntos com a petrolífera mexicana nas áreas de energia e refino

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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247 - A Petrobras deverá formalizar ainda neste mês um memorando de entendimento com a estatal mexicana Pemex, abrindo caminho para estudos conjuntos e possíveis parcerias nas áreas de tecnologia, exploração, produção e refino. O anúncio, de acordo com O Globo, foi feito pela presidente da companhia, Magda Chambriard, nesta sexta-feira (12), durante a reinauguração da sede da empresa no centro do Rio de Janeiro.

Segundo Chambriard, o presidente da Pemex, Juan Carlos Carpio, virá ao Brasil para oficializar os primeiros acordos de cooperação entre as duas empresas. "Estamos prevendo para esse mês a vinda do presidente da Pemex ao Brasil. E vamos assinar os acordos de confidencialidade, memorando de entendimento, e começar estudos conjuntos", afirmou.

Cooperação pode gerar novos negócios

A presidente da Petrobras explicou que os estudos iniciais envolverão tecnologia, exploração, produção e refino, podendo resultar em futuras oportunidades comerciais entre as duas estatais. "Vamos cooperar e esses estudos podem se desdobrar em negócios. Estamos desenhando isso, para entender o retorno econômico de possíveis negócios", declarou.

A aproximação entre Petrobras e Pemex ocorre após videoconferência realizada na quarta-feira (10) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Entre os temas debatidos esteve o fortalecimento da cooperação energética entre os dois países.

Conflito no Oriente Médio amplia demanda por petróleo

Magda Chambriard também destacou os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre o mercado internacional de energia. Segundo ela, a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz levou diversos países asiáticos a buscar novos fornecedores de petróleo e derivados.

"Vendemos petróleo cru para o mundo todo. A Ásia é nosso principal cliente, vendemos muito petróleo para China. Tivemos Japão, Coreia do Sul, Índia, diversos países nos procurando, (e estamos) enviando muito mais volume de petróleo. Inauguramos pela primeira vez a venda de coque verde para a Aramco na China", disse.

A executiva informou ainda que a Petrobras realizou a venda de 40 mil toneladas de coque verde para a operação chinesa da Saudi Aramco, ampliando sua presença no mercado asiático.

"Quando falamos da Guerra do Golfo falamos de uma corrida de diversos países à Petrobras buscando novas fontes de fornecimento, tanto de óleo cru como derivados", acrescentou.

Petrobras contesta cobrança bilionária do RJ

Durante o evento, Magda também comentou a declaração do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, sobre um suposto crédito tributário de R$ 20 bilhões devido pela estatal ao estado.

Segundo ela, há divergências jurídicas sobre parte dos valores cobrados."Algumas dívidas a gente acha que são plausíveis, outras achamos que são de teses que não se sustentam. Em 2025 a Petrobras pagou R$ 277 bilhões em tributos para União, estados e municípios. A gente apura nossos tributos e revisamos. Se há tributo não pago, é porque achamos que a tese não se enquadra ao nosso entendimento da aplicabilidade do tributo", afirmou.

Sede histórica da Petrobras é reinaugurada

A cerimônia também marcou a reinauguração do Edise, edifício-sede da Petrobras no centro do Rio de Janeiro. O prédio passou pela primeira reforma estrutural completa desde sua inauguração, há 50 anos, em uma obra que consumiu cerca de R$ 1,3 bilhão ao longo de quatro anos.

O engenheiro Leandro Sereno, responsável pelo projeto, explicou as principais intervenções realizadas. "O prédio estava com borrachas das janelas ressecadas, brises inoperantes, problemas hidrossanitários, como tubulações com vazamentos frequentes, e sistema de refrigeração obsoleto."

Segundo ele, a modernização incluiu a instalação de 60 quilômetros de novas tubulações, renovação da fachada, modernização do sistema de climatização e ampla impermeabilização da estrutura.

"Agora, estamos com 60 km de novos tubos, novo sistema de ar-condicionado, 35 mil m² de impermeabilização e fachada renovada", afirmou.

Retomada do protagonismo da estatal

Durante a solenidade, o prefeito em exercício do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), associou a reabertura do edifício ao fortalecimento da Petrobras.

"Não houve um esvaziamento pela pandemia. O fechamento do Edise foi um projeto político, de destruição da Petrobras. Foi, mais uma vez, como tentaram fazer com a engenharia do Brasil ao longo dos últimos anos, o governo anterior procurou fazer da Petrobras um projeto de destruição, como fizeram com a BR Distribuidora, e conseguiram", declarou.

Magda Chambriard também ressaltou o significado simbólico da reabertura da sede. "Houve tentativa de apagar o Edise e de apagar a Petrobras na imagem dos brasileiros, tornar esta empresa, a maior da América Latina, em insignificante. Isso que fazemos hoje é mais uma retomada, retomando as rédeas da indústria do petróleo no Brasil", afirmou.

A ocupação do edifício será retomada gradualmente. A diretoria da companhia deverá retornar ao local na próxima semana, enquanto novos andares serão liberados para outras áreas a partir de novembro. A conclusão definitiva das obras está prevista para 2028.

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