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Pix deve dominar e-commerce e chegar a 50% das transações até 2028

Estudo indica que sistema do Banco Central pode ampliar vantagem sobre cartões de crédito e consolidar liderança nas compras online no Brasil

Pix deve dominar e-commerce e chegar a 50% das transações até 2028 (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

247 - O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, deve ampliar sua liderança sobre os cartões de crédito no comércio eletrônico brasileiro e responder por metade das transações online até 2028. A projeção foi divulgada pela fintech de pagamentos Ebanx, em um estudo que reforça a velocidade da transformação digital nos hábitos de consumo no país. As informações são da Reuters.

A ascensão do Pix vem se consolidando em diferentes frentes. Desde 2023, o sistema já superou o número combinado de transações realizadas com cartões de crédito e débito, consolidando-se como o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros. A expansão acelerada, no entanto, também atraiu atenção internacional: no ano passado, o Pix entrou no radar dos Estados Unidos em uma investigação sobre práticas comerciais consideradas potencialmente desleais, com questionamentos sobre o papel duplo do Banco Central como operador do sistema e regulador do mercado financeiro.

O crescimento do Pix pressiona diretamente o setor de cartões, historicamente dominado pelas empresas norte-americanas Mastercard e Visa. No e-commerce, ambiente em que os cartões de crédito sempre foram predominantes, a virada já aconteceu.

Segundo o levantamento do Ebanx, o Pix respondeu por 42% das compras online no Brasil em 2024, superando ligeiramente os cartões de crédito, que ficaram com 41%. A diferença ainda é pequena, mas a tendência é de ampliação rápida.

Com base em dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), a fintech projeta que o Pix alcance 45% de participação até o fim de 2026, avançando para 50% em 2028. Nesse cenário, a vantagem sobre os cartões de crédito pode chegar a 14 pontos percentuais, consolidando a supremacia do sistema no comércio eletrônico.

O estudo atribui parte desse avanço ao lançamento do Pix Automático, funcionalidade implementada no ano passado que permite pagamentos recorrentes. Para Eduardo de Abreu, líder global de produto do Ebanx, a novidade fortaleceu ainda mais o Pix no mercado.

"Houve muito desse ganho de confiança por parte da população com o Pix, combinado com o aumento da disponibilidade nos sites", disse Abreu.

De acordo com ele, o crescimento também reflete uma evolução natural do sistema, que inicialmente ganhou força nas transferências entre pessoas, mas passou a crescer de forma consistente no uso empresarial, impulsionado pela ampliação da aceitação em plataformas digitais.

Os dados do Banco Central reforçam essa mudança estrutural: os pagamentos de pessoa para empresa (P2B) se tornaram, desde setembro, a maior categoria em volume dentro do Pix. Em janeiro, esse tipo de operação respondeu por 46% do total, enquanto as transferências entre pessoas (P2P) ficaram em 40%.

Apesar do avanço acelerado, Abreu avalia que os cartões de crédito ainda manterão espaço relevante no mercado, especialmente devido ao hábito cultural brasileiro de parcelar compras, sobretudo as de maior valor.

"Desconto é bom e ele matematicamente faz sentido para o usuário. Mas a pessoa vê e fala: 'mesmo com desconto eu não consigo pagar este mês. Se eu fizer isso, fico completamente descapitalizado, mesmo sendo mais barato.' Então, o parcelado vem cada vez mais para conseguir tocar essa parte da população que precisa mesmo do fluxo de caixa", afirmou Abreu.

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