Renegociação de dívidas de até R$ 15 mil e bloqueio de bets; saiba tudo sobre o Desenrola 2.0
Programa permite renegociar dívidas de pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos
247 - Bancos afirmam que pretendem aderir ao Novo Desenrola Brasil, mas ainda ajustam sistemas, canais de atendimento e procedimentos internos antes de iniciar efetivamente as renegociações. O programa, criado por medida provisória publicada na noite de segunda-feira (4), já está em vigor e busca reduzir o endividamento das famílias por meio de descontos, juros limitados e prazos maiores de pagamento.
As informações foram publicadas pelo g1. Segundo a apuração, as instituições financeiras procuradas ainda não tinham uma data definida para começar as operações e aguardavam definições operacionais para adaptar seus processos ao Desenrola 2.0.
O programa foi lançado oficialmente pelo governo federal na manhã de segunda-feira com a proposta de reorganizar o acesso ao crédito e aliviar o orçamento de consumidores endividados. A expectativa do governo é que até R$ 58 bilhões em débitos sejam renegociados no âmbito da nova rodada do programa.
Poderão participar pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. A adesão ao programa será feita pelos canais oficiais das instituições financeiras, como aplicativos, sites, telefones de atendimento ou agências.
Quem pode renegociar pelo Desenrola 2.0
O Novo Desenrola Brasil permite a participação de brasileiros endividados com renda de até cinco salários mínimos. Também foram incluídos estudantes com dívidas em atraso há mais de 90 dias, por meio do Desenrola Fies.
O pacote prevê ainda frentes específicas para micro e pequenas empresas e agricultores familiares. As iniciativas foram organizadas em diferentes eixos: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas e Desenrola Rural.
Além dessas frentes, o programa inclui mudanças nas regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.
Quais dívidas entram no programa
A renegociação abrange dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos. Entram no programa débitos relacionados a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
As novas condições preveem descontos entre 30% e 90% sobre o valor da dívida. O parcelamento poderá ser feito em até 48 meses, com prazo de até 35 dias para o início do pagamento.
A dívida renegociada não poderá ultrapassar R$ 15 mil por CPF, por instituição financeira, já considerados os descontos aplicados. Os juros serão limitados a até 1,99% ao mês.
FGTS poderá ser usado após a renegociação
O programa também prevê a possibilidade de uso de parte do saldo do FGTS. O trabalhador poderá utilizar 20% do saldo ou até R$ 1.000, o que for maior.
Segundo as regras apresentadas, o uso do FGTS será permitido apenas depois da renegociação. A medida busca garantir que os descontos sejam aplicados antes da utilização dos recursos do fundo.
Outro ponto previsto é a retirada automática do nome de pessoas com dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplência. Quem renegociar também terá o nome limpo após a formalização do acordo.
Bloqueio em bets por 12 meses
O Novo Desenrola Brasil inclui uma medida voltada à prevenção de novo endividamento. O CPF do beneficiário será bloqueado em plataformas de apostas por 12 meses.
A restrição mira empresas de apostas esportivas e busca reduzir o risco de que pessoas recém-renegociadas voltem a comprometer a renda com dívidas. A regra integra o pacote de medidas associadas à reorganização financeira dos consumidores atendidos pelo programa.
Itaú diz que prepara ofertas em todos os canais
O Itaú Unibanco informou que trabalha na implementação do Novo Desenrola e que, após a publicação da medida provisória, disponibilizará ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em seus canais de atendimento.
"O Itaú Unibanco trabalha na implementação do Novo Desenrola e, com a publicação da Medida Provisória, disponibilizará as ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais — Superapp, WhatsApp (11 4004 1144), site (itau.com.br/renegociacao) e parceiros credenciados de renegociação.
As condições de renegociação seguem os parâmetros estabelecidos pelo programa, sendo elegíveis pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil em atraso entre 90 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos que podem chegar a 90% do valor da dívida, juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses."
Santander confirma adesão ao programa
O Santander também confirmou que vai aderir ao Desenrola 2.0. O banco afirmou que realiza testes para começar a oferecer o serviço aos clientes dentro das condições definidas pelo governo.
“O Santander considera positivas iniciativas que favoreçam a saúde financeira da população brasileira e informa que irá aderir ao Desenrola 2.0. O Banco está realizando os testes necessários para iniciar a oferta do serviço aos clientes o mais brevemente possível, dentro das condições definidas pelo Governo. A Instituição coloca seus canais à disposição dos clientes para atendimento e esclarecimento de eventuais dúvidas.”
Bradesco aguarda autorizações do FGO
O Bradesco informou que também participará da nova fase do programa, mas disse aguardar autorizações do Fundo de Garantia de Operações para iniciar as renegociações.
"O Bradesco informa que vai aderir à nova fase do programa de renegociação de dívidas lançado hoje pelo governo federal, o Novo Desenrola Brasil. O banco está aguardando as autorizações do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para iniciar as renegociações dentro do novo programa. Enquanto isso, clientes interessados podem realizar um pré-cadastro, mediante o preenchimento do formulário já disponível no portal https://renegocie.bradesco.com.br
Adicionalmente, o Bradesco disponibilizará um programa com condições próprias de renegociação para os clientes que não se enquadrem no programa do governo, seja por atraso menor ou maior do que o previsto ou por renda superior ao estabelecido como elegível. Com a iniciativa, o banco pretende ampliar os efeitos do processo de alívio do endividamento da população.
O Bradesco também irá habilitar os canais de atendimento telefônico e a rede de agências para oferecer suporte ao programa. Os demais clientes que não estiverem enquadrados no Desenrola 2 terão acesso a ofertas de renegociação disponíveis no mesmo portal."
BTG Pactual e Banco Pan acompanham regulamentação
BTG Pactual e Banco Pan afirmaram que vão aderir ao Desenrola 2.0 e que acompanham o andamento da medida provisória e da regulamentação do programa.
"O BTG Pactual e o Banco Pan informam que irão aderir ao programa Desenrola 2.0. As instituições acompanham o andamento da medida provisória publicada hoje e a regulamentação do programa, e manterão seus clientes informados sobre prazos, funcionamento e critérios de adesão assim que houver definições adicionais."
C6 Bank aguarda ferramentas tecnológicas
O C6 Bank confirmou adesão ao Novo Desenrola Brasil e informou que começará a oferecer renegociação quando estiverem estabelecidas as ferramentas tecnológicas que permitem a conexão das instituições financeiras com o FGTS e o FGO.
"O C6 Bank confirma que vai aderir ao programa Novo Desenrola Brasil. Assim que estiverem devidamente estabelecidas as ferramentas tecnológicas (APIs) que permitem a conexão das instituições financeiras com o FGTS e o FGO, o C6 Bank oferecerá ao cliente a possibilidade de renegociação de dívida por meio do programa.
Os requisitos para aderir ao Novo Desenrola são os determinados pelo governo – a pessoa precisa ter renda de até 5 salários-mínimos (R$ 8.105) e dívidas, contratadas até 31 de janeiro de 2026, atrasadas entre 90 dias e 2 anos com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
O cliente que desejar renegociar dívidas e se enquadrar nessa faixa poderá procurar o banco nos canais oficiais de atendimento: no app ou no telefone (3003-6116 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-660-6116 para demais localidades)."
Com a medida provisória em vigor, a etapa seguinte depende da adaptação operacional das instituições financeiras. A renegociação será disponibilizada diretamente pelos canais dos bancos participantes, conforme cada instituição conclua os ajustes necessários para operar o Novo Desenrola Brasil.


