Trump indica Kevin Warsh para comandar o Fed
Presidente dos Estados Unidos aposta em crítico da política monetária atual para liderar o Federal Reserve
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira a indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Caso seja confirmado pelo Senado, Warsh substituirá Jerome Powell no comando da instituição responsável pela política monetária do país. As informações são da Reuters.
A nomeação foi divulgada após uma reunião realizada na quinta-feira na Casa Branca entre Trump e Warsh. O encontro ocorreu em meio a críticas públicas do indicado à atuação recente do Fed, que, segundo ele, precisaria de uma espécie de “regime change” para recuperar a credibilidade perdida.
Na véspera do anúncio, Trump já havia sinalizado que tornaria pública sua escolha na manhã seguinte. Ao falar com jornalistas no Kennedy Center, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o indicado seria “alguém que poderia ter estado lá alguns anos atrás” e acrescentou: “acho que vai ser uma escolha muito boa. Espero que sim”.
A decisão ocorre em um contexto de tensões incomuns entre a Casa Branca e o Federal Reserve. Tradicionalmente, a independência do banco central em relação ao poder político é considerada essencial para o controle da inflação. Ainda assim, Trump tem ampliado a pressão sobre a instituição, especialmente em defesa de cortes mais agressivos nas taxas de juros.
Kevin Warsh tem 55 anos, é advogado e acumula experiência em administrações republicanas anteriores. Ele integrou o conselho de governadores do Fed entre 2006 e 2011 e atualmente atua como pesquisador visitante em economia no Instituto Hoover, da Universidade Stanford.
Durante a crise financeira de 2008, Warsh foi o principal interlocutor do então presidente do Fed, Ben Bernanke, junto a Wall Street. Naquele período, destacou-se como defensor de uma política monetária mais restritiva. Nos últimos meses, no entanto, tem afirmado que Trump está correto ao pressionar o banco central por reduções significativas dos juros.
Warsh também tem criticado o Fed por, em sua avaliação, subestimar o potencial da produtividade impulsionada pela inteligência artificial no combate à inflação. Com passagem pelo mercado financeiro — incluindo uma atuação como sócio no escritório que administra a fortuna do investidor Stanley Druckenmiller —, ele mantém ainda vínculos familiares com Ron Lauder, importante apoiador de Trump.
Apesar de não integrar formalmente o círculo interno da Casa Branca, Warsh é considerado um confidente do presidente dos Estados Unidos e já foi convidado em diversas ocasiões à propriedade de Trump na Flórida. Justamente por essa proximidade, sua indicação deve ser alvo de intenso escrutínio no Senado, especialmente quanto à capacidade de preservar a autonomia do Fed.
Entre as posições defendidas por Warsh está a redução do balanço do banco central, uma proposta que, à primeira vista, parece destoar da preferência de Trump por uma política monetária mais frouxa. A eventual confirmação do ex-governador do Fed poderá, portanto, redefinir os rumos da política econômica dos Estados Unidos nos próximos anos.


