Com Fed e Copom, Ibovespa avança e fecha em novo recorde
Ibovespa sobe mais de 1,5%, atinge máxima histórica e acompanha cenário de juros no Brasil e nos Estados Unidos
247 - O mercado acionário brasileiro viveu mais um dia histórico nesta quarta-feira, com o Ibovespa encerrando o pregão em forte alta e estabelecendo novos recordes, tanto no nível intradia quanto no fechamento. O movimento, segundo a agência Reuters, refletiu a continuidade da entrada de capital estrangeiro no país e a leitura positiva dos investidores diante das decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
O principal índice da B3 avançou 1,52%, encerrando aos 184.691,05 pontos, o maior patamar de fechamento já registrado. Durante a sessão, o Ibovespa chegou à máxima histórica de 185.064,76 pontos, após tocar a mínima de 181.920,63. O giro financeiro somou expressivos R$ 33,41 bilhões.
No cenário externo, o foco dos investidores esteve voltado para o Federal Reserve (Fed), que decidiu manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, conforme amplamente esperado pelo mercado. A autoridade monetária norte-americana justificou a decisão citando a inflação ainda elevada e o crescimento econômico robusto. Apesar disso, houve divergências internas: o diretor Christopher Waller, apontado como possível sucessor de Jerome Powell na presidência do Fed a partir de maio, e Stephen Miran, atualmente licenciado para atuar como consultor econômico na Casa Branca, defenderam um corte de 0,25 ponto percentual.
Na coletiva que se seguiu ao anúncio, Jerome Powell afastou a possibilidade de novas altas de juros no curto prazo. Com a decisão sem surpresas, o Ibovespa manteve a trajetória positiva após o comunicado, operando próximo das máximas históricas até o fim do pregão, ainda sustentado pelo fluxo comprador vindo do exterior.
Segundo Nicolas Gass, diretor de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o movimento reflete uma mudança de percepção dos investidores internacionais. "O investidor estrangeiro demonstra um otimismo maior em relação ao Brasil, especialmente quando observamos relatórios produzidos por casas internacionais", afirmou. Ele destacou ainda o impacto do ambiente político e das expectativas macroeconômicas: "com a expectativa de uma possível troca de governo, vista como positiva por alguns agentes". Gass acrescentou que "além disso, há um movimento claro de montagem de posição com foco no médio e longo prazos, sobretudo diante da perspectiva de queda dos juros, o que, na visão do investidor estrangeiro, torna o Brasil mais atrativo para capturar esse potencial de valorização à frente".
No mercado doméstico, as atenções também se voltaram para o Comitê de Política Monetária (Copom), que divulgou sua decisão sobre a taxa Selic após as 18h30. O Copom manteve a taxa dos juros em 15% ao ano, com investidores atentos ao teor do comunicado em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.


