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Varejo cai 1,5% em abril pressionado por combustíveis

Setor recua após alta em março, com queda em seis de oito atividades pesquisadas pelo IBGE e desempenho negativo em 20 estados

Varejo cai 1,5% em abril pressionado por combustíveis (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
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247 - O comércio varejista brasileiro registrou queda de 1,5% em abril na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais, em um movimento puxado principalmente pelo recuo nas vendas de combustíveis e lubrificantes. Apesar da retração mensal, o setor ainda apresentou crescimento de 1% frente a abril de 2025, acumulando alta de 2% no ano e avanço de 1,5% em 12 meses, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (16) pelo IBGE. 

O resultado interrompeu uma sequência de desempenho positivo observada no início do ano. Em março, o varejo havia avançado 0,7%, levando o setor a um patamar historicamente elevado. A média móvel trimestral, que ajuda a suavizar oscilações pontuais, ficou estável em 0,0% no trimestre encerrado em abril, depois de crescer 0,7% no trimestre finalizado em março.

O gerente da PMC, Cristiano Santos, afirmou que o desempenho de abril precisa ser lido à luz da base elevada criada nos meses anteriores. “Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de menor suscetibilidade”, disse.

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Queda atinge seis de oito atividades do varejo

A retração de abril foi disseminada entre os principais segmentos do comércio. Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, seis apresentaram queda no volume de vendas em relação a março. O maior recuo ocorreu em combustíveis e lubrificantes, com baixa de 6,2%, seguido por outros artigos de uso pessoal e doméstico, que caiu 4,6%.

Também tiveram desempenho negativo os segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com queda de 4,5%; móveis e eletrodomésticos, com recuo de 0,8%; tecidos, vestuário e calçados, com baixa de 0,1%; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, também com retração de 0,1%.

Na direção oposta, apenas dois grupos registraram crescimento. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo avançaram 1,3%, segmento de maior peso no índice geral. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram alta de 1,1%.

Segundo Cristiano Santos, a queda atingiu justamente os setores que vinham ajudando a sustentar o resultado positivo do varejo nos meses anteriores. “Houve um rebatimento geral no indicador. O que estava puxando o índice pra cima nos meses anteriores foi o que justamente caiu em abril. O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, afirmou.

Varejo ampliado também registra retração

O comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças; material de construção; e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, também teve resultado negativo em abril. O volume de vendas caiu 0,7% frente a março, após estabilidade de 0,0% no mês anterior.

A média móvel trimestral do varejo ampliado variou 0,1% no trimestre encerrado em abril, indicando perda de ritmo em relação ao avanço observado no começo do ano. O resultado reforça o quadro de desaceleração mensal do comércio, embora parte dos indicadores ainda permaneça positiva em bases de comparação mais longas.

Na comparação anual, cinco atividades crescem

Apesar da queda frente a março, o varejo manteve crescimento de 1,0% na comparação com abril de 2025. Nessa base, cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram alta, duas recuaram e uma ficou estável.

O maior avanço anual foi observado em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com crescimento de 6,5%. Em seguida vieram artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 4,5%; móveis e eletrodomésticos, com avanço de 2,6%; combustíveis e lubrificantes, com crescimento de 1,6%; e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com alta de 0,9%.

Livros, jornais, revistas e papelaria ficaram estáveis em 0,0%. Já tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,5%, enquanto outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 3,0% em relação a abril do ano passado.

Farmácias e supermercados sustentam alta anual

O segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria manteve uma trajetória positiva na comparação anual, com alta de 4,5% frente a abril de 2025. Foi o 38º resultado consecutivo no campo positivo para a atividade, que contribuiu com 0,4 ponto percentual para o crescimento total de 1,0% do varejo.

O grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também teve papel relevante no resultado anual. Com crescimento de 0,9%, registrou o sexto avanço consecutivo nessa base de comparação e foi o segmento com maior contribuição positiva para o índice geral, somando 0,5 ponto percentual.

Cristiano Santos destacou que esses dois setores seguem com desempenho consistente em uma perspectiva mais longa. “A mais longo prazo, essas duas atividades continuam uma trajetória quase constante de crescimento. Há expansão na farmacêutica, não só em receita, mas também em número de lojas abertas. Hiper e supermercados vai na mesma linha, ainda que com menor intensidade”, afirmou.

No varejo ampliado, a comparação com abril de 2025 também trouxe resultados positivos em dois setores. Veículos e motos, partes e peças cresceram 2,6%, enquanto o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo avançou 2,0%. Material de construção ficou estável, com variação de 0,0%.

Varejo recua em 20 estados no mês

A queda de abril também apareceu de forma ampla entre as Unidades da Federação. Na passagem de março para abril, com ajuste sazonal, o comércio varejista teve taxas negativas em 20 dos 27 estados. Os maiores recuos foram registrados no Piauí, com queda de 3,9%; Goiás, com baixa de 3,8%; Santa Catarina, com retração de 3,6%; e Amazonas, também com recuo de 3,6%.

Entre os seis estados que tiveram crescimento no mês, os destaques foram Roraima, com alta de 1,8%; Tocantins, com avanço de 1,6%; e São Paulo, com crescimento de 1,3%. O Rio Grande do Sul apresentou estabilidade, com variação de 0,0%.

No comércio varejista ampliado, o desempenho regional também foi majoritariamente negativo. O setor recuou em 20 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Rondônia, que caiu 5,5%; Amazonas, com retração de 4,9%; Tocantins, com queda de 4,0%; e Paraná, também com baixa de 4,0%.

Na ponta positiva do varejo ampliado, sete estados registraram crescimento em abril. Os principais avanços ocorreram no Rio Grande do Sul, com alta de 3,2%; Goiás, com crescimento de 3,1%; e Maranhão, com avanço de 2,2%.

O desempenho de abril indica perda de fôlego do comércio após um início de ano mais forte, mas a comparação anual ainda mostra avanço em parte relevante das atividades pesquisadas, especialmente nos segmentos de supermercados e farmácias.

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