Crédito para pequenas empresas dispara com programa do BNDES em 2025
Concessões com garantia do Peac chegam a R$ 128 bilhões após mudança nas regras e ampliam acesso ao financiamento para micro, pequenas e médias empresas
247 - As concessões de empréstimos do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mais que dobraram em 2025 e alcançaram R$ 128,2 bilhões em aprovações. O crescimento ocorreu após alterações nas regras do programa em 2024, que ampliaram o volume de garantias disponíveis para operações de crédito destinadas a empresas de menor porte. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo com base no balanço financeiro do banco de fomento.
De acordo com os dados, o montante liberado no ano passado representa um avanço de 100,6% em relação aos R$ 63,9 bilhões aprovados em 2024, sem considerar o impacto da inflação. A expansão ocorreu após mudanças realizadas em outubro de 2024, quando o volume de garantias do fundo que sustenta o programa foi ampliado, aumentando significativamente a capacidade de concessão de crédito.
Apoio ampliado às micro, pequenas e médias empresas
Quando se consideram também as demais linhas de financiamento do BNDES destinadas a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), incluindo recursos próprios da instituição, o total aprovado em 2025 chegou a R$ 224 bilhões. Nas linhas financiadas diretamente com recursos do banco, as aprovações cresceram 3,7% em termos nominais, somando R$ 95,8 bilhões.
Mesmo com crescimento mais moderado nessa modalidade, o valor permanece superior ao registrado em 2022, último ano da gestão do banco durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando foram aprovados R$ 50,3 bilhões em crédito para empresas desse porte.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a ampliação das linhas de financiamento busca fortalecer a base produtiva do país: “ampliar o crédito para micro, pequenas e médias empresas é fortalecer o coração da economia brasileira”. Mercadante também destacou que o banco ampliou mecanismos de garantia para facilitar o acesso ao crédito. Segundo ele, “reforçamos uma política ativa de apoio e ampliamos instrumentos garantidores”.
Como funciona o programa de garantia de crédito
O Peac atua como um mecanismo de garantia semelhante ao seguro-fiança utilizado no mercado imobiliário. Nesse modelo, o programa assegura parte do risco da operação, permitindo que empresas obtenham empréstimos mesmo quando possuem poucas garantias próprias.
O aval é concedido por meio do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo BNDES e formado com recursos do Tesouro Nacional. Embora o fundo forneça a garantia, os empréstimos são concedidos por bancos privados, utilizando recursos próprios dessas instituições.
Caso haja inadimplência, o fundo cobre parte das perdas. O objetivo central é reduzir um dos principais obstáculos ao crédito no país: a dificuldade de pequenas empresas apresentarem garantias suficientes para contratar financiamentos.
Ampliação das garantias impulsionou crédito
O crescimento expressivo do programa em 2025 está relacionado à ampliação do volume de garantias disponíveis no FGI. Segundo o BNDES, parte dos bancos participantes liberou limites de garantia que não estavam sendo utilizados, o que ampliou a capacidade do fundo.
Essa redistribuição resultou em cerca de R$ 10 bilhões adicionais disponíveis no fundo na transição entre 2024 e 2025. Como as regras do Peac permitem que cada R$ 1 em garantias do FGI sustente até R$ 10 em empréstimos, a mudança elevou o potencial de crédito do programa em aproximadamente R$ 100 bilhões.
Para Mercadante, esse modelo reduz riscos para o sistema financeiro e amplia o acesso das empresas ao financiamento produtivo. Ele afirmou que instrumentos como o Peac “reduzem riscos e permitem que mais empreendedores tenham acesso a recursos para investir, produzir e gerar empregos”.
Origem do programa e transformação em política permanente
O Peac foi criado em 2020 como medida emergencial para enfrentar os impactos econômicos da pandemia de Covid-19. Na época, o programa foi estruturado para funcionar até o fim daquele ano, com aporte de R$ 20 bilhões do Tesouro Nacional no fundo garantidor.
Inicialmente, a expectativa era que os recursos fossem devolvidos ao governo federal após o período emergencial. No entanto, com a volta do PT ao governo federal, em 2023, o programa foi transformado em política permanente de apoio ao crédito para empresas de menor porte.


