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“A esquerda está se perdendo por falta de humildade”, afirma pastora Marta

Pastora e influenciadora digital critica uso político das igrejas, defende respeito entre religiões e cobra presença nas periferias

Evangélicos em oração e bandeiras do PT (Foto: Pixabay | Lula Marques/PT na Câmara)

247 - A pastora Marta Lece afirmou que setores progressistas precisam rever a forma como dialogam com a população evangélica no Brasil. Em entrevista ao programa Brasil Agora, Marta disse que “a esquerda está se perdendo por causa disso”, ao comentar o distanciamento entre lideranças políticas e fiéis das periferias.

A líder religiosa abordou temas como intolerância religiosa, uso político das igrejas, desigualdade social, racismo estrutural e a necessidade de mais escuta dentro das comunidades populares.

Questionada sobre declaração do presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, que defendeu mais humildade para se aproximar de evangélicos e trabalhadores por aplicativo, Marta concordou.

Para ela, o diálogo político precisa acontecer dentro das periferias e com lideranças populares reais, e não apenas por meio de grandes influenciadores religiosos.

“Esses políticos de influencers não falam com o meu povo, com o povo da minha periferia. A palavra deles não chega nesse povo”, disse.

Marta também criticou a presença cada vez maior de políticos nos púlpitos e o uso de templos como espaço eleitoral. Segundo a pastora, isso desvirtua a função espiritual das igrejas.

“É muito triste você ver o templo do Senhor virando palanque político”, salientou a pastora, relatando experiências em cultos nos quais políticos ocuparam o centro das atenções, enquanto pessoas buscavam conforto espiritual.

“Ali tinha corações que estavam precisando de uma palavra de conforto e não de palavra sobre política”, destaca.


Rejeição ao discurso de ódio no evangelho

Durante a entrevista, Marta afirmou que parte das lideranças religiosas tem promovido intolerância e radicalização, em desacordo com os ensinamentos cristãos.

“O Evangelho é uma coisa completamente diferente. O nosso Deus é um Deus de mansidão”, destaca.

Segundo ela, a propagação de guerras culturais e inimigos imaginários tem afastado pessoas das igrejas. “O Jesus que eles estão mostrando para o povo é um Jesus muito cruel”, disse.


Mulher preta e periférica no centro do debate

A pastora também destacou a vulnerabilidade vivida por mulheres negras e pobres, dentro e fora das igrejas. Ela afirmou que sua atuação nas redes sociais nasceu da necessidade de representar essas vozes.

“O meu olhar foi justamente, não só como pastora, mas como mulher preta. Eu trago sempre nas redes o assunto voltado para as mulheres, para as mulheres pretas, para as mulheres pobres”, frisa.

Marta disse ainda que muitas vezes é vista como “rebelde” por questionar estruturas tradicionais de submissão feminina no ambiente religioso.

Marta relembrou episódio da infância, quando deixou sua cidade para trabalhar como doméstica ainda criança. Ela usou a própria trajetória para defender consciência de classe e acesso ao conhecimento como caminhos de emancipação social.

“Quando você adquire o conhecimento, você não vira mais marionete na mão do povo”, afirmou Marta, destacando que as políticas públicas são importantes, mas insuficientes sem presença cotidiana e linguagem acessível nas comunidades.

“Falta diálogo, falta conversa”, disse.

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