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Jorge Messias deve defender padrões éticos no STF, mas não citará ministros durante sabatina na CCJ

Messias está preparado para responder às críticas da oposição, que promete uma sabatina rigorosa

Jorge Messias (Foto: Victor Piemonte/STF)

247 - O advogado-geral da União, Jorge Messias, deve enfrentar uma sabatina no Senado marcada pelo debate sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para o caso Banco Master. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele pretende defender padrões éticos para magistrados e evitar mencionar diretamente ministros da Corte durante a sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

As informações foram publicadas pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil. Segundo a reportagem, Messias avalia que o ambiente da sabatina será dominado por questionamentos sobre o desgaste do STF, especialmente diante de investigações envolvendo o Banco Master e supostas conexões com integrantes da Corte.

Estratégia para evitar confronto direto

De acordo com interlocutores, Messias está preparado para responder às críticas da oposição, que promete uma sabatina rigorosa. A estratégia, no entanto, será não personalizar as discussões nem fazer referências diretas a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que devem ser citados por senadores em questionamentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O objetivo é evitar constrangimentos com possíveis futuros colegas no STF. Nesse contexto, Messias deve enfatizar princípios gerais de conduta e defender que padrões éticos orientem a atuação dos magistrados, sem entrar em críticas individuais.

Código de ética e trajetória na AGU

Durante a sabatina, o advogado-geral da União também deve destacar sua experiência à frente da AGU, onde implementou um código de ética aplicado a cerca de 8 mil advogados públicos. A medida deve ser usada como exemplo de sua visão institucional sobre integridade e governança.

A discussão ocorre em paralelo a um movimento dentro do próprio STF, onde o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, propôs a adoção de um código de ética para os magistrados.

Apoio político e cenário de votação

Relator da indicação, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) afirmou à CNN Brasil que acredita em um cenário favorável para Messias. “Messias, eu calculo que tem um piso de 44 votos. Estou muito confiante, porque ele saiu da bolha e conseguiu pedir apoio além do governo e do PT. Nesses quatro meses, ele conversou com muita gente”, declarou.

Para ser aprovado no plenário do Senado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos. A sabatina na CCJ está marcada para as 9h da quarta-feira (29), e, caso avance, a indicação segue para votação final.

Resistências e articulações nos bastidores

Inicialmente prevista para dezembro, a sabatina foi adiada após o presidente Lula não formalizar a indicação diante da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até o momento, Messias não conseguiu se reunir com Alcolumbre, e não há previsão de encontro antes da sabatina.

Nos bastidores, o advogado-geral buscou ampliar sua base de apoio, dialogando com diferentes grupos políticos, incluindo setores evangélicos. Ele também contou com a atuação dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que intercederam junto a senadores da oposição.

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