Messias chega à sabatina com apoio de ao menos 47 senadores
Indicado ao STF por Lula, ministro da AGU enfrenta etapa decisiva no Senado com expectativa de aprovação apertada
247 - O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, chega à sabatina no Senado com o apoio de ao menos 47 parlamentares, número considerado suficiente para avançar no processo de indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), cuja análise começa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (29), informa o Metrópoles.
A indicação de Messias, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro de 2025, passou por um longo período de espera até ser formalizada no Senado, em abril deste ano, após 131 dias de intervalo entre o anúncio e o envio oficial da mensagem presidencial.
Para ser aprovado na CCJ, Messias precisa obter maioria simples dos votos dos senadores presentes. Caso avance, o nome segue para o plenário, onde será necessário o apoio mínimo de 41 dos 81 senadores. A contagem atual de pelo menos 47 votos favoráveis indica uma margem que, embora suficiente, é vista como apertada por aliados.
A vaga no STF foi aberta com a saída antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro de 2025. Desde então, o processo de indicação foi marcado por negociações políticas e incertezas quanto à aceitação do nome de Messias no Senado.
Nos bastidores, interlocutores do ministro relatam que o cenário político evoluiu desde o fim do ano passado, quando havia maior resistência. Ainda assim, a avaliação predominante é de cautela. A expectativa é de que a votação tenha um resultado semelhante ao de outras indicações recentes ao Supremo, como as dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, que também enfrentaram aprovações com margem reduzida.
Articulação política e visitas a senadores
Desde que foi indicado, Jorge Messias intensificou sua articulação política no Congresso. Ele visitou cerca de 77 senadores, incluindo parlamentares da oposição, com o objetivo de apresentar sua trajetória profissional e reforçar sua atuação em cargos públicos.
Esse esforço foi considerado essencial para consolidar apoios em um cenário inicialmente incerto. A demora na formalização da indicação, segundo avaliação de críticos, teria refletido receios do Palácio do Planalto quanto à possibilidade de rejeição no Senado.
Outro fator que influenciou o processo foi a disputa interna por nomes alternativos. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) chegou a ser defendido por parte significativa dos parlamentares e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como opção para a vaga no Supremo.
Contexto de pressão por agilidade
A tramitação da indicação ocorreu em meio a críticas sobre a lentidão do processo, considerado sensível diante da relevância da vaga no STF. O intervalo entre a escolha política e o início da análise legislativa foi interpretado por alguns setores como sinal de falta de coordenação ou estratégia do governo.
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal segue acumulando processos e decisões de grande impacto, o que aumenta a pressão por uma definição rápida sobre o novo integrante da Corte.
Na sabatina, os senadores devem avaliar não apenas o currículo e as posições jurídicas de Jorge Messias, mas também o contexto político que envolveu sua indicação e o percurso até a análise final no Legislativo.



