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Alysson Mascaro defende que a revolução depende da construção de um novo desejo coletivo

Filósofo afirma que a transformação social exige romper com a lógica do capitalismo e criar horizontes capazes de mobilizar a classe trabalhadora

Alysson Mascaro (Foto: Reprodução Youtube)
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247 - O filósofo e jurista Alysson Leandro Mascaro afirmou que a principal tarefa dos movimentos transformadores na atualidade é construir um desejo coletivo capaz de superar a lógica do capitalismo. Em entrevista à TV 247, ele argumentou que as mudanças profundas na sociedade não serão alcançadas apenas por reformas ou pela ampliação de direitos dentro da ordem existente, mas por uma transformação estrutural das relações econômicas e sociais.

Segundo Mascaro, um dos maiores obstáculos para a mudança social está no fato de que o capitalismo não se sustenta apenas pela exploração econômica ou pela repressão política. Para ele, o sistema opera sobretudo pela produção de desejos, moldando comportamentos, valores e aspirações desde a infância.

“O capitalismo estrutura um maquinário de desejo”, afirmou. “As pessoas passam a desejar aquilo que o próprio sistema produz, reproduzindo continuamente sua lógica.”

Na avaliação do filósofo, a esquerda tradicional durante muito tempo apostou na ideia de que a conscientização política seria suficiente para impulsionar transformações sociais. No entanto, ele considera que essa explicação se tornou insuficiente para compreender por que trabalhadores frequentemente apoiam projetos políticos que não enfrentam os mecanismos que os exploram.

Para Mascaro, a questão central não é apenas a consciência, mas o desejo. Ele argumenta que os indivíduos são constantemente atravessados por estruturas simbólicas, culturais e econômicas que os levam a se identificar com valores produzidos pelo próprio capitalismo.

“O problema não é apenas o que as pessoas sabem ou deixam de saber. É aquilo que elas desejam”, disse.

Ao longo da entrevista, o professor sustentou que o capitalismo produz formas de identificação que fragmentam a sociedade e dificultam a construção de projetos coletivos. Essas identificações podem surgir em diferentes esferas da vida social, como o consumo, a religião, o nacionalismo, os estilos de vida e outras formas de pertencimento que acabam obscurecendo a condição comum dos trabalhadores.

Segundo ele, essa fragmentação contribui para impedir a formação de uma consciência coletiva capaz de enfrentar as estruturas econômicas dominantes.

Mascaro também criticou setores da esquerda que, em sua visão, passaram a concentrar sua atuação em disputas morais e comportamentais, deixando em segundo plano a construção de projetos amplos de transformação social. Ele argumentou que a política transformadora precisa oferecer perspectivas positivas de futuro, em vez de se limitar à crítica ou à punição de comportamentos considerados inadequados.

“A revolução não se faz pela negatividade. Ela se faz pela construção de novos horizontes”, afirmou.

Nesse sentido, o filósofo defendeu a recuperação da utopia como elemento fundamental da ação política. Para ele, a luta revolucionária se diferencia das correntes reformistas porque busca construir uma sociedade que ainda não existe, baseada em novas formas de cooperação, solidariedade e organização da vida coletiva.

“O revolucionário luta pelo que ainda não há”, declarou.

Mascaro argumentou que uma transformação efetiva exige imaginar uma sociedade em que o trabalho não esteja subordinado à exploração privada e em que a riqueza produzida coletivamente seja colocada a serviço das necessidades humanas. Segundo ele, a emancipação não se resume à distribuição de benefícios dentro do capitalismo, mas pressupõe a superação das próprias bases que sustentam o sistema.

Ao concluir sua reflexão, o filósofo defendeu que a esperança continua sendo uma força política decisiva. Para ele, a construção de uma sociedade mais justa depende da capacidade de mobilizar desejos voltados para a cooperação, a liberdade e a igualdade, em oposição à lógica da competição e da exploração.

“Revolucionárias e revolucionários são pessoas do pleno desejo. Sonham com um mundo em que nenhum ser humano seja explorado e em que todos possam viver plenamente suas potencialidades”, afirmou.