Breno Altman: “aceitar a filiação de Kátia Abreu é um erro do PT”
Breno Altman critica filiação de Kátia Abreu ao PT e aponta risco de descaracterização ideológica do partido
247 - A filiação de Kátia Abreu ao PT abriu um novo capítulo no debate interno sobre identidade política, estratégia eleitoral e os rumos da legenda. Para o jornalista Breno Altman, a decisão representa um erro político e sinaliza uma possível mudança estrutural no perfil do partido, historicamente associado a uma linha programática e ideológica definida.
As críticas foram feitas por Altman em entrevista ao programa Bom Dia 247, em que analisou a entrada da ex-senadora na sigla. Segundo ele, embora Kátia Abreu tenha relevância política e papel reconhecido na base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a questão central não é individual, mas partidária.
“Aceitar a filiação da Kátia Abreu é um erro do PT”, afirmou. Ele destacou que a ex-ministra teve atuação importante contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e é uma aliada do governo, mas ponderou que isso não implica necessariamente sua integração ao partido.
Na avaliação de Altman, o PT sempre estabeleceu critérios claros para filiação, baseados em alinhamento ideológico e programático. “O PT pode ter aliados sem necessariamente que eles se filiem ao PT”, disse. Em seguida, reforçou que “a filiação ao PT sempre significou adesão ao seu programa e aos seus estatutos, a sua orientação político ideológica”.
Para o jornalista, a entrada de Kátia Abreu levanta uma questão mais ampla sobre a natureza da legenda. “Não tem nada a ver com fazer ou não aliança com Kátia Abreu. Tem a ver com o que é o PT. Ele é um partido ideológico ou ele é um partido eleitoral?”, questionou.
Ele argumenta que, ao abrir espaço para filiações sem esse alinhamento, o partido pode caminhar para um modelo mais pragmático, semelhante ao de legendas tradicionais. Nesse cenário, a filiação deixaria de ser um compromisso com um projeto político e passaria a atender principalmente a objetivos eleitorais.
Altman também afirmou que sua posição não deve ser interpretada como crítica pessoal à ex-senadora. Segundo ele, Kátia Abreu pode continuar desempenhando papel relevante como aliada política fora da sigla. “Nada contra a Kátia Abreu. A Katia Abreu poderia se filiar a um partido aliado ao PT”, declarou.
Ao sintetizar sua análise, destacou que o impacto da decisão recai sobre o próprio partido. “Agora ela se filiar ao PT é uma outra história, não fala sobre ela, fala sobre o PT”, concluiu.

