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Brian Mier: Trump resgata o anticatolicismo nos EUA, e rejeição dispara

Rejeição a Donald Trump é impulsionada por ataques ao papa e tensão com católicos nos Estados Unidos

Brian Mier e Donald Trump (Foto: Divulgação | Reuters/Evelyn Hockstein)

247 - A rejeição ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disparou, atingindo o nível mais baixo de popularidade de sua trajetória, em meio a críticas relacionadas a ataques ao papa e à reação de milhões de católicos nos Estados Unidos. A avaliação foi feita pelo jornalista norte-americano Brian Mier, que associou o cenário ao histórico de tensões religiosas no país e ao impacto político dessas declarações.

Durante participação na TV 247, Mier afirmou que o aumento da rejeição está diretamente ligado ao posicionamento do presidente em relação à Igreja Católica. Segundo ele, “foi para 68%, o mais baixo nível de popularidade de todos os tempos para Donald Trump. E uma das razões para isso é o anticatolicismo dele, os ataques que ele fez contra o papa”.

O jornalista destacou que o papa Leão possui grande popularidade entre os católicos norte-americanos, um grupo expressivo dentro da população. “O papa Leão é muito popular entre as dezenas de milhões de católicos nos Estados Unidos. Você não saberia disso escutando os evangélicos falarem, mas a maior religião nos Estados Unidos é a católica”, afirmou.

Mier explicou que, embora o conjunto das denominações protestantes supere numericamente os católicos quando somadas, a Igreja Católica permanece como o maior grupo religioso individual no país. “Se você soma todos os diferentes grupos protestantes, incluindo as seitas que não são fundamentalistas, que não são evangélicas, como os metodistas, os luteranos, aquelas religiões dos velhos da elite dos Estados Unidos, somando todos, têm mais do que católicos. Mas a religião mais popular nos Estados Unidos é a católica”, disse.

O analista também relacionou o atual cenário a um passado marcado por conflitos religiosos e discriminação. “Donald Trump comprou briga com o papa. Isso trouxe muitas memórias para os católicos nos Estados Unidos, porque os Estados Unidos têm uma longa história de anticatolicismo”, afirmou.

Segundo Mier, essa tensão remonta à formação do país, predominantemente protestante, e se intensificou com as ondas de imigração católica entre os séculos XIX e XX. “Os Estados Unidos foram fundados pelos protestantes. No fim do século XIX, teve uma onda de imigração católica. Primeiro foram os alemães católicos, depois os irlandeses e depois os italianos”, explicou.

Ele lembrou que, nesse período, discursos hostis à Igreja Católica ganharam força. “Tinha pastores chamando o Vaticano de ‘a prostituta de Babilônia’”, relatou, apontando ainda o surgimento do Ku Klux Klan como parte desse contexto histórico de intolerância.

Mier também citou a atuação do grupo supremacista branco após a Guerra Civil e sua relação com políticas segregacionistas. Ele mencionou o sistema de leis conhecido como Jim Crow e seus desdobramentos históricos, incluindo influências internacionais. “Essas leis Jim Crow serviram, através de muito apoio do Henry Ford, fundador da Ford, como base das leis antijudeus do Hitler. O Hitler citou esse sistema do apartheid dos Estados Unidos como influência. E também serviram com influência principal para o sistema de apartheid na África do Sul, depois da Segunda Guerra Mundial”, afirmou.

O jornalista ressaltou ainda o ressurgimento do Ku Klux Klan na década de 1920, período em que católicos também foram alvo do grupo. “Nessa volta, um dos alvos principais, além dos negros, eram os católicos, chamados de ‘papistas’”, disse.

Por fim, Mier mencionou um episódio envolvendo a família de Donald Trump. “Em 1927, o pai de Donald Trump foi preso em um ato do Ku Klux Klan. O pai do Trump era do Ku Klux Klan”, afirmou, ao relacionar o histórico familiar ao debate contemporâneo sobre religião e política nos Estados Unidos.

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