Chico Alencar: "o verde e amarelo não pertence ao bolsonarismo"
Deputado afirma que disputa em torno da camisa da seleção e dos símbolos nacionais expõe divergência sobre soberania e alinhamento aos Estados Unidos
247 - O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou, em entrevista ao programa Bom Dia 247, que o debate em torno do uso da camisa da seleção brasileira e dos símbolos nacionais ganhou dimensão política porque setores do bolsonarismo tentaram se apropriar desses elementos nos últimos anos. Para ele, a defesa da soberania nacional diferencia os campos políticos em disputa no país.
Segundo o parlamentar, a bandeira, o hino e demais símbolos da República não pertencem a nenhum grupo político. Ele argumentou que o patriotismo foi utilizado de forma instrumental por setores da extrema direita, que associaram sua identidade política a símbolos nacionais enquanto, ao mesmo tempo, adotaram posições de alinhamento aos interesses dos Estados Unidos.
“Os bolsonaristas são entreguistas”, declarou. Na avaliação de Chico Alencar, manifestações promovidas pelo bolsonarismo exibiram bandeiras norte-americanas e demonstraram apoio a agendas externas que, segundo ele, contrariam os interesses nacionais. O deputado citou episódios recentes envolvendo integrantes da família Bolsonaro e as críticas feitas por eles ao Pix durante discussões com autoridades norte-americanas.
Durante a entrevista, o parlamentar afirmou que o atual momento político favorece a retomada dos símbolos nacionais por setores que defendem a soberania brasileira. Ele considerou correta a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de voltar a associar as cores verde e amarela à identidade nacional e não a um grupo político específico.
Para Chico Alencar, a discussão ganhou força em meio às recentes tensões envolvendo tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos e às manifestações de apoio feitas por lideranças bolsonaristas ao presidente Donald Trump. Segundo ele, esses episódios reforçam a percepção de que existe uma diferença entre nacionalismo e alinhamento automático a interesses estrangeiros.
O deputado também relacionou o debate à defesa do Pix, sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central. Ele argumentou que a ferramenta representa uma conquista da sociedade brasileira e do setor público nacional, citando sua ampla utilização pela população. Para ele, críticas ao sistema ou tentativas de vinculá-lo a interesses externos ampliam a discussão sobre soberania econômica e tecnológica.
Ao final, Chico Alencar defendeu que a identidade nacional seja compreendida de forma ampla, incorporando a diversidade social e cultural do país. Segundo ele, o Brasil não pode ter seus símbolos associados exclusivamente a um projeto político ou ideológico.



