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“Dark Horse era o grande caldeirão do bolsonarismo para receber dinheiro”, diz Fernando Horta

Historiador afirma que produção ligada ao bolsonarismo teria sido usada para movimentação de recursos milionários

Cartaz do filme Dark Horse- Jair Bolsonaro-Flávio Bolsonaro-Daniel Vorcaro (Foto: Dark Horse-Flávio Bolsonaro-Jair Bolsoanro (Foto: Divulgação/Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Flávio Bolsonaro/Adriano Machado/Reuters/Daniel Vorcaro/Reprodução/ Montagem/IA Dall-e))
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247 - O historiador Fernando Horta afirmou que o filme "Dark Horse", associado a integrantes do bolsonarismo e ao banqueiro Daniel Vorcaro, teria funcionado como um mecanismo de captação e circulação de recursos milionários. Em entrevista ao programa Brasil Agora, Horta comentou a declaração do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que admitiu que além das conversas trocadas com Daniel Vorcaro, ele se encontrou com o banqueiro em dezembro 2025, após o banqueiro passar a usar tornozeleira eletrônica por decisão do ministro André Mendonça.

“O filme não era para passar em lugar nenhum. O filme era o grande caldeirão para receber dinheiro de todos os lados”, declarou Horta.

Segundo o historiador, o projeto cinematográfico teria se tornado o centro de uma engrenagem financeira que envolveria recursos privados, emendas parlamentares e mecanismos de financiamento indireto ligados ao setor cultural.

“Estamos falando de uma quantidade brutal de dinheiro para uma situação que não se justifica”, afirmou.

Horta questiona origem dos recursos do filme

Fernando Horta citou informações segundo as quais cerca de 90% da produção do filme teria sido viabilizada por intermédio de Daniel Vorcaro. Embora a produtora do projeto tenha negado uso direto de recursos do Banco Master, Horta afirmou que a falta de transparência levanta suspeitas.

“Cadê o contrato? Não aparece esse contrato?”, questionou o historiador também afirmou que o custo alegado para a produção não seria compatível com o conteúdo do filmo já divulgado.

“Está na internet parte do roteiro. É um roteiro infantil, um roteiro de seriado japonês da década de 90”, disse.

Segundo Horta, os valores mencionados nas investigações e nos bastidores políticos chegariam a cifras bilionárias. “O número que circula é que seria um total de R$ 600  milhões entre dinheiro do Vorcaro, dinheiro que vinha de outras fontes, dinheiro que vinha de financiamento público com emendas parlamentares”, declarou.

Flávio Bolsonaro admitiu encontro com Vorcaro

A entrevista também repercutiu a declaração pública de Flávio Bolsonaro sobre o encontro com Daniel Vorcaro após o empresário já estar sob monitoramento eletrônico.

O senador afirmou que procurou o banqueiro para “botar um ponto final nessa história” e alegou que não havia sido informado anteriormente sobre a gravidade da situação financeira envolvendo o Banco Master.

Para Fernando Horta, a versão apresentada pelo parlamentar é inconsistente.

“A história não fica em pé, esse é o problema, porque você tem que estar sempre corrigindo uma história que não é verdadeira”, afirmou.

Horta questionou ainda o fato de Flávio Bolsonaro inicialmente negar relação recente com Vorcaro e depois admitir o encontro sob a justificativa de uma cláusula de confidencialidade.

Áudios de Mario Frias ampliam desgaste

Outro ponto abordado na entrevista foram os novos áudios divulgados pelo The Intercept Brasil envolvendo o deputado federal Mario Frias (PL) e Daniel Vorcaro.

Em uma das mensagens reproduzidas no programa, Mario Frias agradece o apoio do banqueiro ao projeto cinematográfico.

“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante pro nosso país”, afirmou o deputado no áudio.

Para Horta, as conversas reforçam a proximidade entre integrantes do bolsonarismo e Vorcaro.

“A gente começa a perceber que era um grande conchavo entre diversos indivíduos para captar dinheiro para esse filme”, avaliou.

O historiador também criticou a escolha de produzir o longa integralmente em inglês. “Você tira toda a essência de qualquer obra ao fazer isso em inglês”, afirmou.

Escândalo já produz impacto político

Fernando Horta afirmou ainda que as revelações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro já provocam desgaste político no campo bolsonarista.

“O bolsonarismo vem derretendo nas pesquisas”, disse.

Segundo ele, levantamentos recentes mostram aumento da percepção popular de que aliados de Jair Bolsonaro estariam mais envolvidos nas fraudes financeiras investigadas do que integrantes do governo Lula.

O historiador também afirmou que o desgaste ultrapassa a figura de Flávio Bolsonaro e atinge todo o campo da direita.

“Foi um escândalo que atingiu todo esse conjunto de forças de direita que participa nesse processo”, declarou.

Avanço das investigações e aumento da pressão

Ao final da entrevista, Fernando Horta comentou o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo STF.

Segundo ele, o ministro André Mendonça terá papel decisivo nos próximos desdobramentos do caso.

“André Mendonça agora tem a possibilidade de acelerar essas investigações e chegar a cabo ainda antes da eleição”, afirmou.

O historiador também demonstrou preocupação com a escalada da tensão política.

“Eu tenho muito medo da violência que isso vai gerar em termos eleitorais ali adiante”, declarou.

Para Horta, o presidente Lula deve continuar evitando envolvimento direto no debate político sobre o caso. “O presidente Lula está certíssimo. Se afasta desse lamaçal o máximo possível”, concluiu.

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