HOME > Entrevistas

Rogério Correia: Flávio foi desmascarado e Michelle é ainda mais frágil

Deputado afirma que escândalo do Banco Master abalou o bolsonarismo e fortaleceu Lula para 2026

Rogério Correia (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que as revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o Banco Master provocaram um forte desgaste político no núcleo do bolsonarismo e fragilizaram ainda mais a extrema direita para as eleições presidenciais de 2026.

Para o parlamentar, o episódio expôs o esquema de financiamento político articulado desde o governo Jair Bolsonaro e desmontou a narrativa construída em torno do senador. “O Flávio foi desmascarado”, afirmou Correia, ao comentar as denúncias relacionadas ao banco e às movimentações financeiras atribuídas ao grupo bolsonarista.

Segundo ele, as pesquisas eleitorais divulgadas recentemente não conseguem medir o impacto real do escândalo porque foram feitas antes de a repercussão atingir a opinião pública. “A pesquisa não detectou o principal fato da pré-campanha até aqui. Então ela tem validade zero para avaliar esse efeito”, declarou.

O deputado sustentou que o Banco Master teria sido estruturado para atender aos interesses políticos e financeiros do bolsonarismo. Na avaliação dele, o banco funcionaria como uma engrenagem de sustentação econômica da extrema direita, envolvendo fundos, crédito consignado e recursos desviados de diferentes origens.

“Era um banco montado para servir ao bolsonarismo. Isso não aconteceu por acaso”, afirmou.

Filme bolsonarista vira alvo de investigação

Rogério Correia também fez duras críticas ao financiamento de um filme associado ao bolsonarismo, que, segundo ele, estaria sendo usado como instrumento político e mecanismo de arrecadação.

“Isso não é filme. É peça de campanha eleitoral bancada com dinheiro suspeito”, disse.

O deputado afirmou que o PT articula no Congresso tanto a retomada da CPMI do Banco Master quanto uma nova investigação focada especificamente na produção audiovisual ligada ao grupo bolsonarista.

“Quero ver se o Flávio Bolsonaro vai assinar essa CPI do filme”, ironizou.

Durante a entrevista, Correia afirmou ainda que há resistência dentro do próprio Congresso para que as investigações avancem, uma vez que setores do Centrão também poderiam ser atingidos pelo caso.

“Michelle é ainda mais frágil”

Ao analisar o cenário eleitoral da direita, o parlamentar afirmou que Michelle Bolsonaro enfrenta uma situação política delicada e pode sofrer novos desgastes caso outras denúncias avancem.

“A Michelle é ainda mais frágil”, declarou.

Segundo ele, a própria família Bolsonaro demonstraria insegurança em relação à ex-primeira-dama como alternativa eleitoral competitiva.

Correia também avaliou que setores do mercado financeiro continuam alinhados ao projeto econômico ultraliberal defendido pela extrema direita e criticou a reação de empresários às propostas do governo Lula, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a redução da jornada de trabalho.

“O mercado quer retomar a ‘Ponte para o Futuro’. Eles não aceitam medidas de distribuição de renda”, afirmou.

Críticas à proposta sobre jornada de trabalho

O deputado ainda criticou emendas apresentadas à PEC que trata do fim da escala 6x1. Segundo ele, as alterações patrocinadas por parlamentares ligados ao agronegócio e à direita esvaziam completamente a proposta original.

Entre os pontos questionados estão o adiamento da redução da jornada para daqui a dez anos, a exclusão de categorias profissionais e a prevalência do negociado sobre o legislado.

“Querem retirar direitos e ainda criar uma espécie de ‘bolsa patrão’”, criticou.

Apesar do cenário de polarização, Rogério Correia afirmou acreditar que o desgaste do bolsonarismo amplia as chances de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

“Com esse desmascaramento do financiamento da extrema direita, as condições do Lula hoje são melhores do que eram há quatro anos”, concluiu.

Artigos Relacionados