Décio Lima: "esquerda pode surpreender em Santa Catarina em 2026"
Pré-candidato ao Senado pelo PT defende frente ampla, critica avanço da extrema direita e propõe novo ciclo político no estado
247 - O pré-candidato ao Senado por Santa Catarina Décio Lima (PT) afirmou que o campo progressista tem condições de disputar com força as eleições de 2026 no estado e sustentou que a esquerda pode “surpreender” tanto na disputa pelas duas vagas ao Senado quanto na eleição para o governo estadual. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Barão nas Eleições 2026, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, transmitido por veículos da mídia independente.
Na conversa, Lima rejeitou a ideia de que Santa Catarina seja, por natureza, um estado conservador. Segundo ele, a leitura ignora experiências anteriores de vitórias progressistas em cidades importantes e o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva no estado em eleições passadas.
“Santa Catarina não é um estado conservador. Nós já ganhamos as eleições e governamos todas as principais cidades do nosso estado”, afirmou. “O que aconteceu em Santa Catarina foi uma construção hegemônica na comunicação, principalmente depois do golpe, com uma narrativa única.”
Décio Lima, que foi vereador, prefeito de Blumenau, deputado federal por três mandatos e presidente do Sebrae Nacional, disse que sua pré-candidatura ao Senado se insere em uma estratégia mais ampla: fortalecer a governabilidade de um eventual novo mandato de Lula e ampliar a representação do campo democrático no Congresso.
Para ele, a disputa legislativa será decisiva diante do que classificou como distorções no funcionamento do sistema político. Lima criticou o avanço das emendas parlamentares e acusou o Congresso de tentar interferir indevidamente na execução orçamentária.
“A disputa da Câmara Federal e das vagas ao Senado é imprescindível para estagnar, no próximo governo do presidente Lula, esses absurdos que têm impedido a evolução daquilo que minimamente nós temos condições de realizar, que é um Estado social”, declarou.
O petista também avaliou que a entrada de nomes ligados diretamente ao bolsonarismo na disputa catarinense, como Carlos Bolsonaro, pode provocar uma reflexão no eleitorado local. Para Lima, parte dos votos dados à extrema direita em 2018 e 2022 não representa adesão orgânica ao ódio ou ao autoritarismo.
“Esse eleitor não é um eleitor que tem uma construção cultural movida pelo ódio. Aqui não é terra do ódio, aqui não é terra da arma”, disse. “O povo catarinense é reflexivo, movido pela solidariedade, movido pelo amor.”
Ao comentar alianças para 2026, Lima citou a composição do campo democrático no estado e defendeu a construção de uma frente ampla. Ele afirmou que o PT aprendeu com erros do passado, sobretudo com a dificuldade de transformar votos presidenciais de Lula em força suficiente para eleger governos estaduais.
“Em Santa Catarina, nós tivemos vários problemas. Um deles foi também uma política regionalizada”, avaliou. “Às vezes cometemos erros do ponto de vista de uma visão de todo o estado.”
Um dos eixos centrais da entrevista foi a defesa das micro e pequenas empresas. Licenciado da presidência do Sebrae, Lima apresentou o setor como fundamental para a distribuição de renda, a geração de empregos e a inclusão social.
“O Sebrae é uma porta de sonhos. As pessoas que procuram o Sebrae realizam o sonho com segurança”, afirmou.
Ele disse que o pequeno empreendedor precisa de políticas públicas protetivas, especialmente em relação ao crédito. Segundo Lima, a economia brasileira é fortemente dependente do financiamento, mas grande parte dos pequenos negócios ainda enfrenta dificuldades para acessar recursos.
“O capitalismo não foi feito para os pequenos. Os pequenos são sobreviventes porque têm uma tutela mínima de um Estado social”, declarou. “No Senado, nós vamos poder fazer mudanças significativas de melhoria de toda a legislação e criar programas para fortalecer essa pequena economia.”
Lima também criticou a autonomia do Banco Central e as taxas de juros, que classificou como prejudiciais ao crescimento da economia popular. Para ele, programas como o Acredita, lançado pelo governo Lula, apontam um caminho para ampliar o crédito e estimular pequenos empreendedores.
Questionado sobre discursos separatistas recorrentes em setores da extrema direita sulista, o pré-candidato adotou tom duro. Ele afirmou que defender a separação de Santa Catarina ou da região Sul não deve ser tratado como mera manifestação política.
“Essa atitude do ‘Sul é meu país’ é criminosa. Isso não é apenas uma manifestação de direito. É crime contra a soberania nacional”, afirmou.
Na política externa, Lima minimizou eventuais impactos de novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil, mas defendeu uma postura firme em defesa da soberania nacional. Segundo ele, o país já não deve se enxergar como subordinado aos interesses norte-americanos.
“Nós não somos uma republiqueta de terceiro mundo. Quem vai perder mercado, comércio e interação nesse modelo de economia globalizada são eles”, declarou.
Ao final da entrevista, o petista fez uma defesa da mídia independente e disse que a comunicação será decisiva para enfrentar fake news e narrativas extremistas durante o processo eleitoral.
“A comunicação é o instrumento imprescindível para combater aquilo que ficou conhecido como fake news, as mentiras, essa construção de absurdos”, afirmou. “A imprensa alternativa é o contraponto à mentira.”
Lima encerrou dizendo que pretende disputar o Senado com entusiasmo, mas sem tratar a eleição como definida de antemão. Ainda assim, afirmou acreditar que o campo democrático terá condições de chegar ao segundo turno na disputa estadual e conquistar espaço relevante no Senado.
“Nós vamos ganhar as duas vagas do Senado, vamos para o segundo turno e vamos ganhar o governo de Santa Catarina”, disse. “Esse entusiasmo não é ufanismo. É um otimismo real.”


