HOME > Entrevistas

Educação de SP regrediu e modelo cívico-militar pode reprimir alunos, diz Paulo Fiorilo

Deputado critica política educacional, questiona presença de policiais nas escolas e aponta desigualdade de recursos na rede pública

Paulo Fiorilo (Foto: Rodrigo Romeo/Alesp)

247 - O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP) afirmou que a educação em São Paulo vive um processo de retrocesso e fez críticas ao modelo de escolas cívico-militares adotado pelo governo de São Paulo. 

Ao comentar o caso que repercutiu nas redes em que um policial militar cometeu erros de português ao escrever duas palavras em uma lousa no primeiro dia de funcionamento do modelo cívico-militar na Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, em Caçapava, no interior de São Paulo, o parlamentar analisou o cenário da rede pública. 

“A educação do estado de São Paulo não tem avançado, tem regredido”, disse o deputado, que questionou a atuação de agentes de segurança dentro do ambiente escolar e contestou a separação entre gestão pedagógica e funções atribuídas aos militares nas unidades cívico-militares.

O deputado destacou que os parlamentares da oposição ao governo de São Paulo acionaram a Justiça para impedir a implatação das escolas cívicos- militares, mas as representações no tribunal foram arquivadas no Ministério Público. "Agora, nós não podemos deixar de mostrar o que significa a instalação de escolas militares no estado de São Paulo. Aliás, o primeiro dia já mostrou isso. A Secretaria Estadual de Educação diz que a parte pedagógica é de responsabilidade da Secretaria. Mas o problema é que eles têm uma lousa, é que eles escrevem, o problema é que eles dão ordem unida, o problema é que eles vão reprimir alunos", denunciou.

Para ele, o modelo também cria diferenciações estruturais entre escolas da mesma rede. “Nós não podemos diferenciar as escolas públicas das cívicos militares do ponto de vista dos uniformes, ou mesmo dos recursos que serão gastos. A gente vai ter policiais recebendo mais do que professores”, apontou.

Segundo o parlamentar, situações observadas logo no início do funcionamento dessas unidades reforçam alertas feitos anteriormente. “A gente mostrou as contradições antes da instalação e agora, assim, a gente teve a confirmação daquilo que apresentamos como denúncia”, disse.

Fiorilo relacionou o debate sobre as escolas cívico-militares à condução geral da educação no estado. “O estado tem sofrido com uma política educacional atrasada, equivocada”, afirmou. Ele também alertou para possíveis impactos futuros nos indicadores educacionais. “O estado está sujeito a regredir na avaliação educacional nos próximos anos”, declarou.

O deputado ainda contestou o discurso de que o modelo representaria modernização. “Nas escolas que o Tarcísio defende como vanguarda, avanço nenhum”, disse.

Artigos Relacionados