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'Em crise, EUA ativam o motor imperial contra América Latina', diz Luiz Felipe Osório

Analista geopolítico situa, em entrevista à TV 247, ataque dos EUA à Venezuela no contexto da crise mais ampla do imperialismo e do capitalismo. Assista

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o presidente dos EUA, Donald Trump - 03/01/2026 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - Professor de Relações Internacionais da Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Luiz Felipe Osório situou a situação crítica na Venezuela, após a invasão a Caracas pelos Estados Unidos, como reflexo de uma crise profunda do imperialismo e do capitalismo, em entrevista à TV 247. "Estamos definitivamente em uma crise do imperialismo", frisou o analista geopolítico. 

Diante da crise, os capitalistas "ativam o motor imperial", em busca de recursos naturais. No caso, a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Após a invasão e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, presos em Nova York, petroleiras dos EUA e globais se mobilizam para se apoderar dos recursos, avalia. 

"O motor imperial não para, e isso passa pela acumulação do capital. O capitalismo é por essência crise, transformando-se também conforme o motor da história. Hoje estamos no neoliberalismo. Isso é crise permanente. Estamos ainda vivendo o período histórico da crise de 2008. Portanto, o imperialismo ainda está em crise", analisou Osório.  

Em sua avaliação, as ameaças proferidas diariamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, demonstram apenas que "os acontecimentos surgem agora sem as turvações". "É tudo muito explícito", criticou. Elas são especialmente voltadas à América Latina, e o Brasil vem adotando uma política externa que busca evitar a confrontação, ponderou. 

"O isolacioanismo não existe na América Latina, só em Gaza e na Ucrânia. A ascensão do Trump levou a um aumento forte da pressão também sobre Cuba. A situação para Cuba tende a se acelerar. Paira em todos um desconfiância, mas o governo Lula está dócil, o que pode até ajudar", disse.

Osório também lançou um alerta sobre novos métodos de guerra adotados pelo imperialismo em crise. Segundo ele, operações cirúrgicas se tornam cada vez mais frequentes.  

"As ações cirúrgicas estão se tornando cada vez mais comuns, como ocorreu com Soleimani há exatos 6 anos, Ismail Hanniyeh, do Hamas, e a cúpula do Hezbollah. E hoje a captura de Maduro. Muito provavelmente envolveu tecnologia de desativar defesas e espionagem", avaliou. "Como os EUA não têm condições de travar guerras 'boots on the ground', mas podem exercer esse tipo de ação", acrescentou. Assista na TV 247: 

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