Pepe Escobar prevê reacão popular contra agressão à Venezuela
Analista geopolítico afirma que elites latinas "vendem" seus países por um apartamento em Miami
247 – Em entrevista concedida ao canal Dialogue Works, o analista geopolítico Pepe Escobar comentou os desdobramentos da escalada de agressão contra a Venezuela e sustentou que a reação popular teria unido as ruas de vários países da América Latina.
Ao ser questionado sobre os impactos para Brasil, Colômbia, Cuba e outros países da região, Escobar disse que “as ruas da América do Sul” e “as ruas da América Latina” expressariam uma “resistência unida”, resumida no lema “No pasarán”.
Na leitura do analista, existe um contraste estrutural entre as maiorias populares — trabalhadores e camponeses — e as elites econômicas e políticas, que ele descreve como um “abismo” histórico na região. Para Escobar, enquanto as ruas reagiriam com repúdio, setores privilegiados aplaudiriam a ofensiva.
Ele afirmou que, no caso venezuelano, parte dessas elites se concentraria em poucos bairros de Caracas, enquanto grande parcela estaria fora do país. Escobar chegou a definir Miami como “a capital da diáspora venezuelana”.
Ao ampliar o foco para a América do Sul, o analista atacou com dureza as elites brasileiras e afirmou conhecer “por dentro” como pensam e agem. Segundo ele, esse grupo “odeia o Brasil” e “vende o Brasil”, associando a ideia de “sucesso” ao sonho de “uma casa na Flórida” e “um apartamento em Nova York”.
Guerra psicológica
Escobar também destacou a dimensão informacional do episódio, dizendo que já circula um vídeo curto produzido com inteligência artificial que reproduziria “o roteiro americano” dos acontecimentos em Caracas. Para ele, apesar de “bonito” e com “valores de produção excelentes”, o material seria “conceitualmente totalmente falso” e funcionaria como “operações psicológicas subliminares”, com potencial de influenciar sobretudo os mais jovens.
Em tom ainda mais incisivo, ele se referiu a Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — como “neo Calígula” e afirmou que a operação teria sido guiada pelo ego do líder norte-americano, “independentemente” das consequências geopolíticas, humanitárias e diplomáticas. Escobar disse ainda que haveria violações do direito internacional, por se tratar, segundo sua versão, de um precedente de gravidade inédita na região.
O analista mencionou imagens veiculadas pela Telesur que, na sua interpretação, evidenciariam apoio externo e discurso de resistência interna, citando Rússia, China e Irã como atores que aparecem no enquadramento simbólico dessa resposta. Ele afirmou que “Rússia, China e Índia não estão intimidadas” e criticou leituras que cobram reação imediata de Moscou e Pequim.
Reação legalista
Ao tratar especificamente da China, Escobar afirmou que qualquer tentativa de bloquear contratos de petróleo venezuelano destinados ao país asiático poderia ser respondida “nos tribunais”, enfatizando que a reação chinesa seria “legalista” e firme no campo jurídico.
Ele também sugeriu, como hipótese, que a escalada poderia acabar se transformando em uma “armadilha sofisticada” montada por Rússia e China para expor o comportamento do presidente norte-americano. Escobar ressaltou, porém, que não teria “prova definitiva” desse cenário, apenas “indícios”.


