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Altman: “O troféu que Trump e a direita norte-americana desejam não é Venezuela, não é Colômbia, mas é Cuba”

Jornalista analisa o lugar estratégico da ilha no avanço das pressões dos Estados Unidos na América Latina

Havana, Cuba (Foto: Mintur/Reprodução)

247 - Cuba passou a ocupar posição central nas preocupações geopolíticas após os acontecimentos recentes na Venezuela e a intensificação das tensões promovidas pelos Estados Unidos. A avaliação foi feita pelo jornalista Breno Altman durante entrevista ao programa Bom Dia 247, ao analisar os movimentos do governo de Donald Trump e seus reflexos na região.Em participação no Bom Dia 247, da TV 247, Altman sustentou que, embora a Venezuela tenha sido o foco imediato das ações mais recentes de Washington, Cuba representa um objetivo estratégico mais profundo, especialmente no plano simbólico e político da direita norte-americana.


“O troféu que Trump e a direita norte-americana desejam não é Venezuela, não é Colômbia, mas é Cuba”, afirmou Altman. Segundo ele, a centralidade cubana na política externa dos Estados Unidos está diretamente ligada à história de resistência da ilha. “Do ponto de vista interno dos Estados Unidos, Cuba é o grande trauma da direita norte-americana, porque Cuba sobreviveu, com bloqueio e tudo, a 14 presidentes norte-americanos”, declarou.

O jornalista destacou que, ao longo de décadas, diferentes governos norte-americanos tentaram derrotar a Revolução Cubana sem sucesso. “Quatorze presidentes norte-americanos tentaram derrotar a revolução cubana e se frustraram nessa tentativa”, afirmou, ao explicar por que a ilha segue sendo tratada como um símbolo a ser derrubado por Washington.

Na avaliação de Altman, o atual cenário internacional amplia os riscos enfrentados por Havana. “Eu creio que Cuba está vivendo uma situação de perigo real e imediato”, disse. Ele ponderou que, até o momento, não há informações sobre preparativos militares concretos, mas ressaltou que o contexto é de ameaça permanente. “Não há informações sobre ações militares que os Estados Unidos já estejam preparando contra Cuba, mas é uma situação de perigo real imediato”, afirmou.

Altman também analisou as declarações do governo Trump envolvendo a relação entre Cuba e Venezuela, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de petróleo e à cooperação bilateral. Para o jornalista, as pressões norte-americanas buscam enfraquecer alianças estratégicas na região. “As relações comerciais da Venezuela com Cuba são protegidas pelo direito internacional”, afirmou, ao comentar a reação firme de Caracas às ameaças de Washington.

Segundo Altman, a ofensiva contra Cuba faz parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento dos Estados Unidos na América Latina. “A estratégia norte-americana para tentar deter a sua hegemonia passa por recuperar o controle da América Latina, por estabelecer na América Latina governos serviçais, governos vassalos”, declarou. Nesse contexto, a ilha aparece como um alvo prioritário após a Venezuela.

O jornalista destacou que o principal instrumento utilizado por Washington tem sido o agravamento do bloqueio econômico. “O que Trump já vem fazendo há muitos meses é agravar o bloqueio contra Cuba, provocar uma situação de máxima escassez na ilha e criar um cenário de inviabilidade econômica”, disse. Segundo ele, a aposta é que a deterioração das condições materiais possa gerar uma ruptura política interna.

Altman observou, no entanto, que estratégias semelhantes foram adotadas ao longo de décadas sem alcançar o objetivo desejado. “Os Estados Unidos tentam isso há décadas e também não deu certo”, afirmou, ao descartar que bombardeios ou pressões indiretas sejam suficientes para derrubar o governo cubano.

Ao final da análise, o jornalista ressaltou que, mesmo sem clareza sobre os próximos passos de Washington, Cuba entrou definitivamente no centro da disputa geopolítica atual. “Eu não tenho dúvida que Cuba passa a ser a bola da vez”, concluiu, ao apontar que a ilha enfrenta um cenário de crescente pressão no contexto da política externa dos Estados Unidos.

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