“EUA estão planejando provocar esse incidente nuclear”, alerta Ualid Rabah
Para o presidente da Fepal, há risco de catástrofe nuclear no Oriente Médio e critica dircurso belicista de Trump
247 - A escalada de tensões no Oriente Médio pode atingir um nível ainda mais grave, com risco de um incidente nuclear de grandes proporções. O alerta é de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina (Fepal) em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, ao analisar o cenário internacional diante das recentes declarações e ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo ele, há indícios de que a estratégia norte-americana pode envolver ataques indiretos a estruturas sensíveis no Irã. “Me parece que é isso que eles estão planejando, provocar esse incidente nuclear”, afirmou, ao comentar bombardeios e ameaças envolvendo instalações nucleares e de energia iranianas.
Ualid Rabah destacou que um eventual ataque a usinas nucleares pode gerar consequências devastadoras, com impactos humanos e ambientais de longo prazo. “Consequentemente, a tentativa é de provocar um incidente radioativo de grande proporção”, disse.
Ele reforçou a gravidade desse tipo de ação: “Crime de lesa humanidade, mais do que de guerra”.
Ao comentar as declarações de Donald Trump sobre o povo iraniano, em que ele chama de “animais” e diz que vai “dizimar uma civilização inteira”, Rabah criticou o uso de linguagem desumanizante como justificativa para ações militares.
“A afirmação dele que os iranianos são animais, os israelenses e a administração Trump, Biden, afirmaram que os palestinos de Gaza são animais ou semi-humanos, etc.”, lembrou. “Eles desumanizam e com isso acham que tem automaticamente licença para matar”, completou.
Estratégia dos EUA
Rabah contextualizou que a política de intervenção dos Estados Unidos na região não é recente. “É preciso lembrar que a política de máxima intervenção dos Estados Unidos no mundo não começou com o Trump. ela começou com o Barack Obama”, declarou.
Segundo ele, o objetivo central “é controlar aquela região, e para isso eles vão levar às últimas consequências, todas as suas ações”.
Ele citou a importância do Estreito de Ormuz e do Mar Vermelho para o fluxo global de petróleo e gás, ressaltando que esses corredores energéticos são fundamentais para as economias asiáticas.
Na avaliação de Ualid Rabah, Israel atua como beneficiário das ações norte-americanas. Já os Estados Unidos, segundo ele, concentram o protagonismo militar e geopolítico: “Os Estados Unidos destruíram a Síria, destruíram o Iraque, destruíram a Líbia com seus aliados ocidentais e europeus”.
Boicote e reação internacional
A entrevista também abordou reações globais ao conflito, incluindo iniciativas de boicote. Rabah defendeu esse tipo de ação como instrumento legítimo de pressão.
“O cidadão comum pode boicotar, desinvestir e defender sanções a um regime considerado de apartheid, genocidário, colonial e supremacista”, afirmou.
Ele comparou essas iniciativas a movimentos históricos, como os boicotes contra o regime de apartheid na África do Sul e contra a Alemanha nazista.
Na entrevista, Ualid Rabah também abordou a repercussão de um caso no Brasil envolvendo um bar no Rio de Janeiro multado após manifestação política, o bar Partisan, na Lapa.
Rabah defendeu o direito ao boicote: “O cidadão comum pode boicotar, desinvestir e defender sanções a um regime considerado de apartheid, genocidário, colonial e supremacista”, argumentou.
Rabah criticou a tentativa de deslegitimar críticas ao Estado de Israel por meio da confusão entre conceitos políticos e religiosos. “Não são anti-judaísmo [...] são refutas à política de extermínio, de apartheid, colonial e genocidária de Israel”, declarou.

