HOME > Entrevistas

Ualid Rabah: “Flávio Bolsonaro quer a submissão total do Brasil a Israel”

Presidente da Fepal afirma que visita do senador expressa apoio a genocídio e abandono da soberania brasileira

Ualid Rabah (Foto: Arquivo )

247 - O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, afirmou que a recente visita do senador Flávio Bolsonaro a Israel simboliza um projeto político de alinhamento externo que, segundo ele, implica a renúncia da soberania nacional brasileira. Para Rabah, os gestos públicos realizados durante a viagem indicam apoio explícito às ações do Estado israelense e a defesa da subordinação do Brasil a interesses estrangeiros.

As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, na qual Rabah analisou o significado político da agenda do senador em Israel. Segundo ele, “este rapaz que está aí no muro percorreu o mesmo caminho do pai” e integra um campo político que “defende também a total subordinação do Brasil aos Estados Unidos e a Israel”. 

Ao comentar o conteúdo e o simbolismo da viagem, Rabah afirmou que a posição expressa por Flávio Bolsonaro viola princípios constitucionais que regem a política externa brasileira. “Abrem mão da soberania nacional brasileira e abrem mão de todo o corolário do direito internacional, consequentemente da ONU, consequentemente das organizações multilaterais, consequentemente da carta da ONU, consequentemente da Constituição Brasileira, especialmente o artigo quarto, que determina como devem ser as relações exteriores brasileiras”, declarou o presidente da Fepal, em entrevista à TV 247.

Para Rabah, a postura do senador envolve três mensagens centrais. A primeira, segundo ele, é o endosso às ações militares israelenses na Faixa de Gaza. “O que está dizendo Flávio Bolsonaro nesse momento? Primeira mensagem: apoiamos o maior extermínio humano de todos os tempos dos palestinos em Gaza”, afirmou. A segunda, ainda de acordo com o dirigente, é a defesa da aplicação desse modelo em território nacional. “Defendemos que este modelo seja aplicado no Brasil às populações pobres brasileiras, às populações indesejadas no Brasil”, disse. A terceira mensagem, apontada como estratégica, seria a tentativa de mobilização eleitoral a partir de discursos religiosos. “Buscam enganar uma parcela do eleitorado brasileiro que tem alinhamento espiritual com religiões apresentadas no cenário evangélico”, afirmou.

Rabah também associou a viagem a um projeto de política externa que, segundo ele, ignora normas internacionais e compromissos históricos do Brasil. “Em todos os dez itens elencados no artigo quarto, em todos eles se enquadra a impossibilidade do Brasil de se relacionar com um estado gangster como Israel”, declarou, ao sustentar que o alinhamento defendido por Flávio Bolsonaro contraria diretrizes constitucionais.

Na avaliação do presidente da Fepal, o discurso e os atos do senador durante a visita expressam mais do que uma posição pessoal. “Alinharemos o Brasil, subordinaremos o Brasil aos interesses de Israel”, afirmou Rabah, ao definir o que considera ser o núcleo do projeto político representado pela família Bolsonaro no campo das relações internacionais.

Artigos Relacionados