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Cofres públicos bancam viagem de campanha de Flávio Bolsonaro a Israel

Senador receberá mais de R$ 42 mil em diárias

O senador Flávio Bolsonaro em Brasília - 7/12/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciará uma viagem internacional a Israel em meio ao processo de consolidação de sua pré-candidatura à Presidência da República. Embora classificada formalmente como missão oficial, a agenda ocorre em pleno período de articulação eleitoral e inclui compromissos políticos no exterior, com todas as despesas custeadas pelo Senado Federal, segundo o Metrópoles.

A viagem foi autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e terá os custos de passagens aéreas, diárias, hospedagem, alimentação, deslocamentos e seguro-viagem pagos com recursos públicos. O giro internacional inclui ainda passagens pelo Bahrein e pelos Emirados Árabes Unidos, totalizando cerca de 20 dias fora do país.

Em Israel, Flávio Bolsonaro participa como orador da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, marcada para os dias 26 e 27 de janeiro, em Jerusalém. O evento conta com o endosso de integrantes do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que também deverá discursar. Segundo a programação oficial, a conferência se propõe a discutir “desafios permanentes” relacionados a ataques contra comunidades judaicas, incluindo “teorias da conspiração antissemitas que prosperam na retórica dos movimentos políticos” e os efeitos da imigração sobre o aumento do antissemitismo na Europa.

Apesar do caráter institucional da missão, a assessoria do senador afirmou que sua participação terá conteúdo político-eleitoral. De acordo com a equipe, Flávio pretende apresentar “diretrizes que pretende adotar em um eventual futuro governo” e defender a ampliação das relações bilaterais estabelecidas durante o governo Bolsonaro. A conferência também reunirá nomes da direita internacional, como o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cúneo Libarona, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee. Está previsto ainda um jantar de gala restrito a autoridades.

A escolha de Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto foi definida por Jair Bolsonaro (PL) com o objetivo de manter o capital político concentrado na família. A decisão contrariou setores do centrão, que passaram a ver a candidatura como uma tentativa de pressão por anistia. Em declarações anteriores, o senador chegou a afirmar que haveria um “preço” para não levar a candidatura até o fim, mas depois recuou e disse que a decisão é definitiva.

O custeio da viagem foi detalhado em despacho assinado por Davi Alcolumbre em 22 de dezembro. O presidente do Senado autorizou 12 dias de missão oficial, correspondentes às datas em que Flávio afirmou que participará de eventos em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. No início do ano, a Casa atualizou o valor das diárias internacionais, fixadas em US$ 656,46 por dia. Com isso, o senador terá direito a receber cerca de US$ 7,9 mil, o equivalente a mais de R$ 42 mil.

O pagamento das diárias deve ocorrer antes do início da agenda em Israel. Já os gastos com passagens aéreas ainda não foram informados ao Senado, o que é permitido pelas regras internas, que concedem prazo de até cinco dias úteis após o retorno para a prestação de contas.

A agenda internacional está sendo organizada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se coloca como articulador do bolsonarismo junto à direita internacional. A viagem também adiou definições estratégicas da pré-campanha no Brasil. Dirigentes do PL afirmam que os detalhes do projeto eleitoral só deverão ser fechados em fevereiro, após o retorno do senador.

Desde o anúncio da pré-candidatura, em dezembro, Flávio Bolsonaro já realizou viagens aos Estados Unidos, onde participou de um culto evangélico na Flórida e esteve em Washington em tentativa de aproximação com integrantes do governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao lado de Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo.

No cenário eleitoral, a pré-candidatura de Flávio já aparece como consolidada dentro do bolsonarismo. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de janeiro mostra o senador com 23% das intenções de voto no primeiro turno, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 36%. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surge em terceiro, com 9%. Em simulações de segundo turno, Lula mantém vantagem sobre os adversários.

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