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“Flávio e Eduardo são os maiores puxadores de voto de Lula”, diz Fernando Horta

Historiador avalia que ataques ao Pix reforçam a identificação de Lula com interesses nacionais e ampliam possibilidade de vitória no primeiro turno

“Flávio e Eduardo são os maiores puxadores de voto de Lula”, diz Fernando Horta (Foto: Brasil247)
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247 - O historiador Fernando Horta afirmou que os senadores Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro se transformaram nos principais responsáveis por fortalecer eleitoralmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante participação no programa Bom Dia 247, Horta avaliou que as declarações dos dois parlamentares contra o Pix e em defesa de alternativas ligadas ao sistema financeiro dos Estados Unidos criaram um ambiente favorável à campanha de reeleição do presidente.

Segundo ele, Lula já parte de uma base eleitoral elevada, situada entre 42% e 44% das intenções de voto, o que historicamente mantém aberta a possibilidade de uma vitória ainda no primeiro turno. O desafio da campanha governista, na avaliação do historiador, era encontrar um tema capaz de unificar diferentes setores da sociedade em torno de uma pauta nacional.

Para Horta, essa dificuldade acabou sendo resolvida pelos próprios adversários políticos do presidente.

“O que os analistas diziam era que, em um cenário polarizado, era muito difícil transferir votos. Mas Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro conseguiram criar uma situação que oferece à campanha de Lula exatamente o argumento que ela precisava”, afirmou.

O historiador destacou que o Pix se tornou um instrumento amplamente aceito pela população brasileira, independentemente de classe social, renda ou posicionamento político. Segundo ele, o sistema é utilizado tanto pelo setor financeiro quanto por pequenos comerciantes, trabalhadores autônomos e empreendedores informais.

Na entrevista, Horta criticou especialmente a defesa feita por Eduardo Bolsonaro do uso do sistema norte-americano Zelle. Ele argumentou que a ferramenta é menos acessível, possui limitações operacionais e não apresenta o mesmo alcance social alcançado pelo Pix no Brasil.

“O Pix virou um consenso nacional. Vai da Faria Lima aos trabalhadores que vendem bolo, pipoca ou qualquer outro produto no dia a dia. Atacar o Pix significa atacar algo que a população incorporou à sua rotina”, afirmou.

Para o historiador, o desgaste político decorre não apenas da crítica ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, mas da percepção de alinhamento dos irmãos Bolsonaro aos interesses dos Estados Unidos. Segundo ele, quanto mais os parlamentares se manifestam sobre o tema, mais reforçam a imagem de subordinação a agendas externas.

Horta observou que a campanha de Lula buscava há meses uma pauta de convergência nacional. Entre as alternativas discutidas estavam propostas ligadas ao desenvolvimento econômico, aos direitos das mulheres e à redução da jornada de trabalho. Nenhuma delas, segundo sua análise, alcançou o mesmo potencial de mobilização obtido pela defesa do Pix.

“Se alguém tivesse tentado construir um tema que diferenciasse Lula e Bolsonaro de forma simples, direta e compreensível para toda a sociedade, dificilmente encontraria algo tão eficiente quanto a defesa do Pix diante desses ataques”, afirmou.

Na avaliação do historiador, o episódio criou uma oportunidade inédita para o governo consolidar apoio em diferentes segmentos sociais. Por isso, ele considera que a possibilidade de uma vitória de Lula ainda no primeiro turno, embora dependa do desenvolvimento da campanha e da mobilização política nos próximos meses, tornou-se mais concreta após a controvérsia envolvendo o sistema de pagamentos.

“A vitória em primeiro turno sempre foi possível. Agora, com esse tema, ela se tornou mais viável. Eles entregaram para a campanha de Lula um argumento de união nacional que antes não existia”, concluiu.

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