Genoino: “Chapa deve ser Lula e Alckmin numa eleição de guerra”
Genoino defende manutenção da cabeça de chapa e prega campanha de enfrentamento contra extrema direita em 2026
247 - O ex-deputado federal e ex-presidente nacional do PT, José Genoino, afirmou que a disputa presidencial de 2026 exigirá uma estratégia de confronto político direto e defendeu a manutenção da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. Para ele, o cenário será de tensão institucional e de embate aberto com a extrema direita.
Em entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, Genoino sustentou que não é momento para alterar a composição da candidatura presidencial. “Eu acho que nesse ponto a gente deveria manter o nosso time coeso, não mexer na cabeça de chapa. É Lula e Alckmin, fazer os palanques estaduais e ir para uma campanha de enfrentamento”, declarou.
Segundo ele, a próxima eleição terá características distintas da disputa de 2022. “Essa campanha vai botar o Supremo dentro, vai botar a Justiça Eleitoral dentro, vai ser uma espécie de confronto democrático bem diferente de 2022”, afirmou. Na avaliação do ex-dirigente petista, a extrema direita atuará para forçar um segundo turno com o objetivo de ampliar o nível de radicalização. “É atingir o Lula para produzir um segundo turno e, no segundo turno, fazer o que eles fizeram no filho. Esse é o interesse deles”, disse.
Genoino argumentou que há uma articulação política ampla contra o campo liderado por Lula. “Nessa aliança entre a mídia corporativa, entre o sistema financeiro, entre os governadores, entre os formadores de opinião, eles fazem a guerra”, declarou. Ele citou episódios recentes, como ataques políticos e iniciativas no Congresso, para sustentar que o ambiente eleitoral já está contaminado por disputas antecipadas.
Para o ex-presidente do PT, não há espaço para uma campanha moderada. “Nós não podemos ter uma campanha porque a gente estava criando uma certa ilusão de fazer uma campanha mais ao centro, ampliar mais do que 2022. Nós temos que fazer uma campanha que faça um corte claro”, afirmou. Ele acrescentou que o momento exige mobilização orgânica da base social. “Se a gente não conquistar corações e mentes para uma campanha militante forte, de não ter ilusão nessa turma, essa turma quer derrotar a gente em 2026.”
Genoino também criticou a abertura de debates internos sobre eventual mudança na vice-presidência. “Abrir essa discussão sobre o vice do Lula é um erro. A chapa é Lula e Alckmin e vamos montar a campanha”, declarou. Para ele, insistir nesse tema significa desperdiçar energia política. “A gente acaba gastando tempo, gastando energia com uma coisa que não é necessária.”
Na entrevista, o ex-dirigente enfatizou que a disputa eleitoral será marcada por alta tensão. “Essa eleição vai ser decidida também pela credibilidade dos atores, pela legitimidade da disputa, pela identidade nossa”, afirmou. Ele alertou que o ambiente político internacional e regional também influencia o cenário doméstico. “Isso mostra que nós vamos pôr eleição em terreno quente, no clima quente. E nós não podemos ter medo do clima quente.”
Genoino concluiu defendendo que a estratégia central deve combinar unidade interna e enfrentamento político. “Não podemos aceitar a provocação, mas temos que fazer a disputa política”, disse. Para ele, a preservação da chapa Lula e Alckmin é parte essencial dessa estratégia em um contexto que definiu como “eleição de guerra”.


