Jandira Feghali sobre relatório da CPMI do INSS: “Estamos vivendo um novo clima de Lava-Jato”
Deputada aponta uso eleitoral da CPMI do INSS, questiona ausência de provas e defende regulação das redes
247 - A deputada federal Jandira Feghali criticou duramente o relatório final da CPMI do INSS e afirmou que o país enfrenta um ambiente semelhante ao da Operação Lava Jato. Em entrevista durante transmissão ao vivo, a parlamentar questionou a condução da comissão e a consistência das acusações apresentadas.
A análise foi feita enquanto ocorria a leitura do relatório da CPMI, alvo de controvérsias e críticas por parte de parlamentares da base governista. Segundo Jandira, o documento reflete mais interesses políticos do que um esforço real de investigação.
“Não foi criada para investigar”
A deputada afirmou que a comissão teve, desde o início, um caráter eleitoral: “Na verdade, a CPMI não foi construída ou criada para investigar. Ela foi criada para fazer um palanque eleitoral”.
De acordo com ela, a dinâmica interna da comissão impediu avanços concretos: “Ela não conseguiu evoluir para uma investigação de fato. Ali era uma disputa permanentemente ideológica, era uma disputa eleitoreira”.
Jandira também criticou a tentativa de ampliar o escopo da CPMI: “Eles queriam prorrogar a CPI para entrar fora do escopo para o qual a CPI foi criada”.
A parlamentar contestou diretamente os pedidos de indiciamento presentes no relatório, incluindo menções ao filho do presidente: “Se tivesse alguma prova, você vai indiciar, pedir prisão do filho do Lula. Mas qual é a prova mesmo?”, indagou.
“Nós estamos vivendo um novo clima de lava-jato", afirma a deputada que também mencionou a repercussão de apresentações com acusações sem base concreta.
“Aquele PowerPoint [feito pela Globonews] é a prova disso, repetindo o mesmo método do Dallagnol, ter convicção, mas não ter prova”, lembrou.
Na avaliação de Jandira, o cenário atual pode influenciar diretamente o processo eleitoral. “Isso só vai crescer ou piorar se a gente rapidamente não enfrentar esse clima e esse tipo de ambiência que vai se criando”, afirmou.
E acrescenta: “Eles agora estão vendo um jeito, sem jogar bomba, como é que eles incidem na eleição para impedir a vitória do Lula”.
Crise no Rio de Janeiro
Durante a entrevista, a deputada também comentou a instabilidade política no Rio de Janeiro, envolvendo disputas sobre a sucessão no governo estadual.
“A situação do Rio é dramática há muito tempo”, afirmou a parlamentar, destacando problemas estruturais recorrentes.
“É triste a falta de institucionalidade, a relação com o crime organizado, a relação com a corrupção. É importante que a sociedade fluminense tome conta do seu destino”, frisou.
PL contra a misoginia
Outro tema abordado foi o aumento da violência de gênero e a necessidade de fortalecer políticas públicas. Jandira, relatora da Lei Maria da Penha, enfatizou a importância da aplicação da lei.
“Cumpra-se a Lei Maria da Penha. Essa é a primeira questão”, salientou a deputada que também alertou para o papel das redes sociais na disseminação de violência.
“Essas redes, tipo o Encel, Red Pill, estão ensinando os meninos a agredir as meninas”, destacou a deputada, que defendeu a regulação do ambiente digital.
“O ambiente digital pode ser um ambiente muito democrático, mas ele não pode ser terra sem lei”, disse.
Sobre o projeto em debate no Congresso, afirmou que a proposta veio do Senado faz a equivalência com a lei antirracista, que é exatamente para ficar inafiançável, imprescritível e ter uma pena maior.
Eleições
Jandira também criticou o papel da mídia e defendeu maior articulação no campo progressista. “Esse clima de lavajatismo tem sido alimentado pela grande mídia”,
Para ela, é necessário intensificar a disputa política. “É preciso que a gente entre num embate político verdadeiro”, argumentou.
E reforçou: “É preciso unificar uma estratégia de comunicação”.
Apesar das críticas ao cenário atual, a deputada demonstrou confiança no resultado eleitoral. “Eu não vejo o Lula perdendo essa eleição, mas tem muita batalha para fazer”, alertou.
E concluiu: “Nós temos que ir para o embate, para a ofensiva política.”


