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Marandi: "Netanyahu está empurrando a economia global para o colapso ao tentar destruir o acordo"

Professor iraniano vê risco de crise mundial caso Israel inviabilize acordo firmado com os EUA

Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Mohammad Marandi (Foto: Evan Vucci/Pool via Reuters | Reprodução/Facebook)
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247 - O acadêmico e analista político Seyed Mohammad Marandi afirmou, em entrevista ao programa Forças do Brasil, da TV 247, que o acordo firmado entre Irã e Estados Unidos surgiu como resposta à deterioração da situação econômica global e que sua implementação enfrenta um obstáculo central: a oposição do governo de Benjamin Netanyahu.

Segundo Marandi, o entendimento foi alcançado após meses de guerra e de pressão econômica contra o Irã. Em sua avaliação, tanto o conflito militar quanto as sanções impostas por Washington terminaram com vantagem para Teerã, o que teria se refletido nas concessões obtidas durante as negociações.

“O acordo está finalizado, foi assinado e será publicado em breve”, declarou.

O analista sustenta que a motivação principal dos Estados Unidos para aceitar os termos negociados está ligada ao risco de agravamento da crise energética internacional. Ele argumenta que o mundo enfrenta escassez crescente de petróleo, gás natural liquefeito, fertilizantes, hélio e outros insumos estratégicos provenientes da região do Golfo Pérsico.

De acordo com Marandi, a continuidade do conflito poderia desencadear uma crise econômica de alcance global. “Se o acordo não for implementado, as coisas ficarão ainda piores do que já estão. Netanyahu está pressionando efetivamente para provocar o colapso da economia mundial”, afirmou.

Na avaliação do professor da Universidade de Teerã, a preocupação com os impactos econômicos teria levado Washington a modificar sua postura durante as negociações. Ele argumenta que o governo norte-americano percebeu que a continuidade da guerra ampliaria os custos internos e poderia gerar consequências políticas significativas.

Marandi afirmou que a população dos Estados Unidos passou a associar o conflito à deterioração das condições econômicas do país. Segundo ele, essa mudança de percepção também estaria influenciando o cálculo político da Casa Branca.

“O povo americano vê suas dificuldades econômicas e relaciona essa guerra à pressão exercida pelo regime israelense”, disse.

Para o analista, a questão energética ocupa posição central nas negociações. Um dos pontos do acordo prevê a normalização da navegação no Estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde passa parcela relevante do comércio mundial de petróleo.

Marandi explicou que o Irã manterá o controle sobre a passagem estratégica, mas permitirá a retomada do fluxo comercial. Em contrapartida, segundo ele, haverá suspensão de sanções sobre exportações energéticas iranianas durante a primeira fase do entendimento.

Ele também destacou a previsão de liberação gradual de ativos iranianos bloqueados no exterior. Conforme relatou, cerca de metade dos recursos seria desbloqueada imediatamente, enquanto o restante seria liberado nos meses seguintes.

Apesar disso, Marandi afirmou que existe forte ceticismo em Teerã sobre o cumprimento dos compromissos assumidos por Washington.

“Nós não confiamos nos Estados Unidos. Não sabemos se esse acordo será implementado”, declarou.

O analista considera que o principal risco está na possibilidade de Israel continuar as operações militares no sul do Líbano. Segundo ele, a interrupção dos ataques e a retirada das forças israelenses da região fazem parte dos compromissos vinculados ao entendimento entre Washington e Teerã.

Na visão de Marandi, qualquer violação desse ponto comprometeria toda a estrutura negociada. “O acordo só faz sentido se tudo o que foi acertado for implementado. O Irã não permitirá que os Estados Unidos escolham quais partes vão cumprir”, afirmou.

Ao analisar o cenário internacional, o professor argumentou que os interesses econômicos dos Estados Unidos e os objetivos do governo Netanyahu passaram a divergir. Enquanto Washington buscaria evitar uma recessão de grandes proporções, o governo israelense, segundo ele, estaria disposto a prolongar a crise.

“Para Trump, o interesse agora é encerrar a guerra. Para Netanyahu, o interesse é mantê-la. Essa é a questão fundamental neste momento”, declarou.

Marandi afirmou que o desfecho do acordo poderá influenciar não apenas a estabilidade do Oriente Médio, mas também a trajetória da economia mundial nos próximos meses. Em sua avaliação, o fracasso das negociações abriria caminho para uma crise econômica internacional de grandes proporções, enquanto a implementação integral do entendimento poderia reduzir as tensões energéticas e comerciais que afetam diversos países.

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