“Não é uma bolha, é um crescimento consistente do emprego no Brasil”, afirma Luiz Marinho
Ministro do Trabalho destaca recorde histórico de vagas formais, valorização da renda e defende o fim da escala 6×1 com redução da jornada semanal
247 - O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o Brasil iniciou 2026 com um cenário sólido e disseminado de geração de empregos formais, resultado de políticas de valorização da renda, estímulo ao consumo e crescimento econômico contínuo. Segundo ele, os números recentes afastam a tese de recuperação pontual e indicam uma trajetória sustentável no mercado de trabalho.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, exibido em 7 de janeiro de 2026 pelo Canal GOV, em produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC, com participação de jornalistas de todas as regiões do país.
Logo no início do programa, dados do Novo Caged mostraram que o país superou a marca de 5 milhões de empregos com carteira assinada criados desde janeiro de 2023, ultrapassando 49 milhões de vínculos formais ativos, o maior patamar da série histórica. Apenas em novembro, foram mais de 85 mil novos postos, acompanhados de uma taxa de desemprego de 5,2%, a menor desde 2012.
Ao comentar os resultados, Luiz Marinho enfatizou a abrangência do avanço: “O crescimento do emprego está presente em todo o país, em todos os estados brasileiros e em todos os segmentos da economia”. Em seguida, rechaçou avaliações de que o desempenho seria passageiro: “Não é uma bolha localizada, é um crescimento consistente”.
Salário mínimo e renda impulsionam a economia
Na avaliação do ministro, a política de valorização do salário mínimo tem papel central na dinâmica econômica. O novo valor, fixado em R$ 1.621, deve ampliar significativamente a circulação de recursos. “Somente o salário mínimo vai injetar mais de R$ 80 bilhões na economia brasileira ao longo do ano”, afirmou.
Marinho relembrou que, sem a política iniciada nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o piso teria hoje um valor muito inferior. “Se não houvesse essa política de valorização, o salário mínimo estaria em torno de R$ 823. É praticamente metade do que vale hoje”, disse. Embora reconheça que o valor ainda não atende plenamente às necessidades de uma família, ele ressalta o impacto distributivo: “Para a realidade brasileira, ainda é baixo, mas é o dobro do que seria sem essa visão de governo”.
Isenção do IR: “vai parecer aumento de salário”
O ministro também destacou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, combinada com descontos progressivos até R$ 7.350. Segundo ele, o efeito será imediato no bolso do trabalhador. “Quando a pessoa comparar o holerite de janeiro com o de dezembro, vai perceber uma diferença clara. Vai parecer um aumento real de salário”, afirmou.
De acordo com Marinho, a soma da isenção do IR com o reajuste do salário mínimo deve injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia em 2026, reforçando o consumo interno. “É mais dinheiro circulando todo mês, fortalecendo o comércio, os serviços e a indústria”, observou.
Fim da escala 6×1 é prioridade
Um dos principais temas da entrevista foi a proposta de extinção da jornada 6×1. Marinho classificou o modelo como prejudicial e disse que a mudança é prioridade do governo. “A escala 6×1 é uma das jornadas mais duras que ainda existem no mundo, especialmente para as mulheres”, afirmou.
Questionado sobre a viabilidade de votação em um ano eleitoral, ele foi categórico: “É plenamente possível aprovar uma medida como essa, desde que haja mobilização social e diálogo com o Parlamento”. Para o ministro, a redução da jornada não é apenas uma questão trabalhista, mas também de saúde e produtividade. “Um ambiente de trabalho mais equilibrado melhora a saúde física e mental do trabalhador e pode elevar a produtividade”, disse.
Jornada de 40 horas como objetivo imediato
Marinho deixou claro que o foco atual do governo é a redução da jornada máxima semanal. “Hoje a jornada máxima é de 44 horas. O que nós defendemos, de forma imediata, é a transição para 40 horas semanais, com o fim da escala 6×1”, explicou.
Sobre propostas mais ousadas, como a jornada 4×3, o ministro pregou cautela. “Reduzir de 44 para 36 horas de uma vez não seria sustentável neste momento. É preciso responsabilidade e negociação”, afirmou, ressaltando que convenções coletivas terão papel decisivo na adaptação de cada setor.
Trabalho por aplicativos e proteção social
Outro ponto abordado foi a regulamentação do trabalho por aplicativos. Marinho disse que o projeto em tramitação no Congresso amadureceu e pode ser votado ainda no primeiro semestre. “Há condições de aprovar uma regulação que garanta proteção, transparência e segurança previdenciária a esses trabalhadores”, declarou.
Ele lembrou que muitos profissionais atuam hoje sem garantias básicas. “Estamos falando de pessoas que trabalham sem proteção social, sem seguro e sem regras claras de remuneração”, afirmou.
Qualificação e transformação digital
Ao falar sobre os desafios regionais do mercado de trabalho, o ministro apontou a qualificação como eixo estratégico. Ele defendeu um esforço nacional de formação digital. “O Brasil precisa de uma verdadeira alfabetização digital em massa”, disse, destacando parcerias do ministério para ampliar cursos e trilhas de capacitação.
Marinho também relativizou a ideia de que jovens já dominam plenamente as ferramentas digitais. “Eles sabem usar redes sociais, mas muitas vezes não dominam habilidades básicas exigidas pelo mercado de trabalho”, afirmou.
Ao final da entrevista, Luiz Marinho voltou a destacar a relação entre renda, consumo e crescimento econômico. “Quando o dinheiro chega à mão do trabalhador, a economia gira, as empresas vendem mais e contratam mais”, afirmou, sustentando que a classe trabalhadora é protagonista do atual ciclo econômico brasileiro.


