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“O mundo é uma máquina de moer mulher”, dispara Luana Piovani em entrevista à TV 247

Em entrevista à Hildegard Angel, a atriz aborda violência de gênero, políticas públicas, carreira e episódios na TV

“O mundo é uma máquina de moer mulher”, dispara Luana Piovani em entrevista à TV 247 (Foto: Reprodução)

247 - Em entrevista ao programa Conversas com Hildegard Angel, da TV 247, a atriz Luana Piovani abordou temas como violência contra mulheres, desigualdade de gênero e falou sobre a sua trajetória profissional. Ao longo da conversa, a artista também falou sobre conflitos na televisão e sua vida entre o Brasil e Portugal.

Piovani chamou atenção para o aumento da visibilidade dos casos de violência contra mulheres e classificou a situação como alarmante. “Estamos vivendo uma pandemia de violência de gênero. É um negócio assustador”, afirmou. Segundo ela, a maior conscientização social tem exposto uma realidade histórica de desigualdade. “As mulheres estão berrando e a gente tá vendo quão cruel é o mundo com a mulher. O mundo é uma máquina de moia mulher, ILD.”

A atriz defendeu políticas públicas mais duras e medidas imediatas de proteção. “Enquanto a consciência não se amplia na parte masculina, a gente tem que, infelizmente, trabalhar para a nossa defesa. Então, assim, precisamos de leis mais severas, precisamos de mais policiamento, de mais delegacias de mulheres”, defendeu.

Ela também destacou a importância de soluções tecnológicas para segurança urbana, como pontos de ônibus com monitoramento e sistemas de emergência.

Morando há sete anos em Portugal, Piovani comparou a legislação do país europeu com a do Brasil e apontou diferenças preocupantes. “Lá não tem nem feminicídio. A palavra é homicídio. Uma mulher lá é agredida e existe muita violência doméstica em Portugal”, relatou, explicando que a ausência de tipificação específica dificulta a proteção das vítimas.


A fala que incomoda

A atriz também falou sobre episódios marcantes de sua trajetória profissional, incluindo conflitos nos bastidores da televisão. Ao recordar sua saída de uma novela, ela contou que recebeu a justificativa de um produtor: “Você está sendo encarada como alguém que desagrega a produção”. 

Segundo Piovani, a situação ocorreu quando ela era muito jovem e pode ter sido influenciada por sua postura independente no ambiente de trabalho.

Ela também relembrou experiências dentro da Rede Globo, empresa com quem manteve uma relação que definiu como ambígua. Apesar de reconhecer oportunidades profissionais, criticou o clima de pressão. “Quando eu entrava na Globo, me dava sempre uma sensação de que tinha um luminário piscando com um letreiro em neon dizendo assim: ‘Tem 1 milhão querendo o teu lugar’. Então você trabalha sobre o aspecto do medo”, relatou.

Um dos episódios narrados envolveu o diretor Carlos Manga, quando ela ainda estava no início da carreira. Piovani relatou que, na época, não percebeu a situação como assédio, mas posteriormente passou a refletir sobre o ocorrido.

A atriz também mencionou projetos importantes, como trabalhos com Rodrigo Santoro e a série “A Mulher Invisível”, dirigida por Cláudio Torres, além de falar sobre sua atual fase artística, que inclui teatro, projetos sociais e a aproximação com religiões de matriz africana.

Entre reflexões pessoais e políticas, Piovani destacou que a maturidade trouxe ainda mais disposição para se posicionar publicamente. “Não nasci para ficar calada”, afirmou, reforçando seu engajamento em causas sociais e na defesa dos direitos das mulheres.

Confira a entrevista completa na TV 247.


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