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Paulo Teixeira: “Governo Lula foi decisivo no combate à fome e redução do preço dos alimentos”

Ministro afirmou que crédito subsidiado, compras públicas e retomada de estoques ajudaram a baratear alimentos e fortalecer a agricultura familiar

Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agênc)

247 - O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que o governo Lula tem desempenhado papel central no enfrentamento da fome e na queda do preço dos alimentos no Brasil. Segundo ele, políticas de crédito com juros reduzidos, ampliação de programas de compras públicas e retomada de estoques estratégicos contribuíram para aumentar a produção e reduzir a pressão inflacionária sobre itens básicos. Na entrevista ao Boa Noite 247, Teixeira também comentou a trajetória do PT, ações de reforma agrária e o cenário político que antecede as próximas eleições. 

Logo no início da entrevista, o ministro fez elogios à atuação do canal na defesa do regime democrático e declarou: “O 247 é credor da sociedade brasileira porque o 247 ajudou a que nós tivéssemos uma democracia”. Em seguida, acrescentou: “Nos piores momentos que o Brasil viveu, na ameaça que o Brasil teve de viver numa ditadura, vocês fizeram o combate”.

Aniversário do PT e legado histórico

Ao ser questionado sobre os 46 anos do Partido dos Trabalhadores, Paulo Teixeira lembrou sua militância desde a fundação e mostrou sua carteira de filiação. Ele disse que o partido teve papel decisivo ao inserir trabalhadores e movimentos populares no centro do debate político nacional.

Na avaliação do ministro, parte importante das transformações sociais do país se consolidou a partir da Constituição de 1988, que garantiu direitos como saúde e educação públicas. Ele destacou o SUS como uma das conquistas centrais desse processo e afirmou que o Brasil construiu um sistema robusto, com maior acesso do que o modelo existente nos Estados Unidos.

PRONAF e produção recorde de alimentos

Ao tratar do impacto do crédito rural sobre a inflação, Teixeira atribuiu a queda dos preços ao aumento da produção e ao financiamento subsidiado da agricultura familiar. “Os alimentos estão puxando para baixo a inflação, estão ficando mais baratos”, afirmou, ressaltando que o país vive um ciclo de produção recorde.

Segundo ele, esse desempenho está ligado ao fortalecimento do PRONAF, que oferece taxas muito inferiores às do mercado. “Enquanto os juros estão 15% ao ano, aqui no PRONAF para produzir alimentos, 3%. 2% que são os alimentos orgânicos e 2% para mecanização”, declarou.

O ministro também afirmou que o microcrédito rural teve expansão expressiva desde o início do atual governo. “Quando a gente chegou aqui, o microcrédito era R$ 6.000. Hoje o microcrédito família pode pegar R$ 51.000”, disse. Para ele, o financiamento tem sido essencial para estimular a produção, reduzir a pobreza no campo e impulsionar o combate à fome.

Reforma agrária e enfrentamento de conflitos fundiários

Durante a entrevista, Paulo Teixeira afirmou que as ações de reforma agrária do terceiro governo Lula estão em nível comparável ao dos dois primeiros mandatos do presidente. “O que a gente está entregando nesse terceiro mandato se equipara ao primeiro e ao segundo mandato”, afirmou.

Ele também rebateu informações de que o ritmo teria diminuído e citou revisão feita por um instituto que teria reconhecido erro anterior. “Foi retomada com força a reforma agrária no Brasil”, declarou.

O ministro listou assentamentos criados ou retomados em áreas marcadas por conflitos e violência, citando o assentamento Elizabeth Teixeira e outras regiões que, segundo ele, simbolizam disputas históricas no campo.

Caso Marielle Vive e críticas ao prefeito de Valinhos

Outro tema abordado foi o assentamento Marielle Vive, em Valinhos (SP). Teixeira afirmou que as famílias vivem na área há oito anos, produzem alimentos orgânicos e preservam o meio ambiente. Segundo ele, a compra do terreno foi feita para evitar despejo e resolver o conflito fundiário. “Nós compramos exatamente dentro de uma conciliação feita pelo Tribunal de Justiça para evitar um despejo”, declarou.

O ministro criticou a tentativa do prefeito Franklin Duarte de Lima, do PL, de declarar a área de utilidade pública. Na avaliação de Teixeira, a medida foi irregular porque não havia previsão de recursos para pagamento. “Ele não poderia ter declarado de utilidade pública aquela área sem ter o correspondente recurso para pagar”, disse, afirmando que o governo federal já havia depositado o valor da compra.

Teixeira ainda afirmou que a iniciativa pode ter implicações legais. “Ele então pode incorrer no crime de improbidade administrativa, perder seus direitos políticos”, declarou. Segundo ele, a proposta do governo é transformar o assentamento em referência produtiva, com participação da União e do município.

Estoques públicos e reconstrução da CONAB

Questionado sobre medidas estruturais para evitar crises futuras no preço dos alimentos, o ministro afirmou que o governo Lula retomou a política de estoques, interrompida em anos anteriores. Ele citou a retirada de centrais de abastecimento e da CONAB do programa de privatizações e disse que o governo passou a recuperar armazéns e silos.

“Desde 23 não tinha mais estoque. Então nós passamos a fazer estoque de milho”, afirmou. Teixeira explicou que o milho é essencial para alimentação animal e destacou diferenças de preços entre regiões, dizendo que a compra e revenda ajudaram a reduzir custos em estados afetados por secas.

Ele também informou que a CONAB voltou a comprar trigo e arroz, além de recuperar estruturas físicas de armazenamento. “Nós estamos vivendo um grande processo de, ao invés de vender, reformar todos os prédios da CONAB para que a gente possa ter lugares adequados para estoque de alimentos”, afirmou.

Compras públicas fortalecem agricultura familiar

Na entrevista, Paulo Teixeira também defendeu que programas governamentais de compra direta têm ajudado a agricultura familiar a escoar produção e garantir renda. Ele destacou a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “Quando nós chegamos aqui, tinha 2 milhões… Hoje são 2 bilhões no programa de aquisição de alimentos”, afirmou.

O ministro explicou que os alimentos comprados são destinados a cozinhas comunitárias e comunidades em situação de insegurança alimentar. Ele citou ainda a importância do Programa Nacional de Alimentação Escolar e disse que o governo fez correções de valores acima da inflação, fortalecendo a compra direta de produtores locais.

Outro ponto mencionado foi a exigência de compra mínima da agricultura familiar por instituições públicas. “Obrigar com que as forças armadas, as universidades… comprem ao mínimo 30%… da agricultura familiar”, declarou. Segundo ele, isso cria um ciclo de comercialização mais estável para o pequeno produtor.

Cooperativas e industrialização no campo

Teixeira afirmou que muitos assentamentos e comunidades rurais têm se estruturado em cooperativas, o que permite processamento e industrialização de alimentos, agregando valor à produção. Ele citou exemplos como fabricação de laticínios e produtos derivados de frutas.

O ministro também mencionou o programa Coopera Mais, voltado ao fortalecimento administrativo e organizacional dessas cooperativas. “Nós temos um programa inclusive chamado Coopera Mais voltado para as cooperativas”, disse.

Eleições, redes sociais e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Ao tratar do cenário político, Paulo Teixeira afirmou que o avanço da extrema direita nas redes sociais exige mobilização constante. “Tem uma extrema direita fascista que controla as redes sociais e a partir daí captura mentes e corações através de mentiras, as chamadas fake news”, declarou.

Ele também citou a atuação de estruturas organizadas de desinformação. “Eles têm fábricas de mentira. Eu quero dizer uma das fábricas de mentira deles aqui no Brasil, que é a Brasil Paralelo”, afirmou.

O ministro avaliou que o processo eleitoral brasileiro será influenciado por fatores internacionais e citou Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. “O governo Trump vai participar desse processo político”, afirmou, defendendo que forças políticas progressistas ampliem alianças para garantir a continuidade do projeto liderado pelo presidente Lula.

Isenção de imposto e queda no preço do ovo

Na reta final da entrevista, o ministro comentou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 e afirmou que a medida representa avanço na justiça tributária. “A gente conseguiu mais justiça tributária”, declarou, ao explicar que a mudança veio acompanhada de aumento para quem recebe acima de R$ 1 milhão.

Teixeira também comentou a preocupação do público com o preço da carne. Segundo ele, houve redução em relação ao ano anterior, embora o valor ainda seja alto. O ministro relacionou parte do problema à variação cambial e afirmou que a queda do dólar tende a ajudar. “Quanto mais baixo o dólar, menor estará o preço da carne”, disse.

Ele mencionou ainda a queda no preço do ovo, lembrando que o item havia subido fortemente no ano anterior. Para Teixeira, o objetivo do governo é garantir que a população tenha acesso amplo a proteínas e alimentos essenciais, mantendo o combate à fome como prioridade.

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