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Rogério Correia aponta ligação entre Banco Master, Igreja da Lagoinha e campanha bolsonarista

Deputado afirma que operação da PF reforça suspeitas de caixa 2 eleitoral, cita relação com Campos Neto e pede investigação sobre voos de icolas Ferreira

Rogério Correia e Nikolas Ferreira (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - O deputado federal Rogério Correia afirmou que a investigação envolvendo o Banco Master revela conexões entre o sistema financeiro, lideranças religiosas e a campanha eleitoral bolsonarista. As declarações foram feitas em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, na qual o parlamentar comentou os desdobramentos recentes da operação da Polícia Federal que apura irregularidades envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.

Durante a entrevista, Correia afirmou que o funcionamento do banco teria sido viabilizado durante a gestão do então presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro.

“O Vorcaro só conseguiu que o Banco Master passasse a funcionar a partir da quiescência de Roberto Campos Neto, o presidente do Banco Central, indicado por Bolsonaro. Antes disso, ele não conseguiu que o banco fosse registrado e tivesse o aval de funcionamento do Banco Central”, lembrou.

Segundo o deputado, o empresário não teria os requisitos exigidos para abrir uma instituição financeira.

“Para conseguir formar um banco e fazer com que ele funcione, a pessoa tem que ter idoneidade. Isso é um pressuposto. E no caso do Vorcaro, ele não tinha”, destacou o parlamentar.

Correia, que integra a Comissão Parlamentar de Inquério do INSS, afirmou ainda que o crescimento do banco ocorreu após acesso a diferentes linhas de crédito consignado, incluindo operações ligadas a militares, beneficiários doISS e beneficiários do Bolsa Família.

 “A partir daí, esse Banco Master cresceu rapidamente, porque teve acesso a crédito consignado para militares, ao INSS e também a crédito consignado de Bolsa Família”, frisou o deputado, que avalia que esse processo teria ocorrido durante o governo Bolsonaro.

O deputado também mencionou a existência de um núcleo de operadores ligados ao banco. Segundo ele, uma dessas figuras seria Fabiano Zetel, ligado à Igreja Batista da Lagoinha, cunhado de Daniel Vorcaro e apontando como operador financeiro do esquema do banqueiro.

“O Zetel era pastor da Igreja da Lagoinha, onde o Vorcaro também participa dessa igreja. E o Zetel fazia lavagem de dinheiro do roubo do Banco Master na Igreja da Lagoinha via Clava Forte Bank.”

Durante a entrevista, o deputado citou doações feitas na campanha eleitoral de 2022, mencionando repasses registrados oficialmente.

“Como forma de reconhecimento a Bolsonaro, deram simplesmente três milhões para a campanha dele de caixa um. Três milhões para ele, dois milhões para Tarcísio de Freitas”, destacou.

Ao mesmo tempo, ele levantou suspeitas de doações não declaradas. “Por que eu digo que tem caixa dois? Porque agora nós vimos o Nicolas Ferreira tentando se explicar de um avião do Vorcaro em que ele fazia campanha para o Bolsonaro e jamais registrou”, defendeu.

O parlamentar afirmou que o avião teria sido utilizado por cerca de dez dias durante a campanha e disse ter encontrado registros de voos anteriores aos mencionados pelo deputado Nicolas Ferreira.

“No dia 10 de outubro de 2022, ele estava na cidade de Araçuaí, em Minas, com Valadão, comemorando que ele diziam ser o início da virada que iam fazer nas eleições do segundo turno”, apontou o parlamentar, exibindo uma postagem de André Valadão no X.

Segundo o deputado, isso indicaria que o uso da aeronave teria ocorrido antes do período mencionado publicamente. “Então, desde o dia 10 nós já descobrimos que tinha avião de Vorcaro voando pelos céus de Minas Gerais e do Brasil”, acrescentou.


Suspeitas dentro do Banco Central

Correia também afirmou que investigações apontam pagamentos indevidos a servidores do Banco Central.

“Tinha lá um diretor de fiscalização do banco, e um assessor. Ambos estavam lá e recebiam dinheiro, viagens à Disney e outras bondades do Vorcaro”, disse.

Para o parlamentar, isso indicaria a atuação de um esquema interno de favorecimento. “Ou seja, eles operavam dentro do Banco Central para o Banco Master. Isso é gravíssimo”, salientou.


Propostas de CPI e CPMI

O deputado informou que assinou pedidos de investigação parlamentar sobre o caso.

“Nós pedimos, nós assinamos a CPI do deputado Rodrigo Rollemberg,, do PSB do Distrito Federal, que se propôs a fazer uma CPI séria para investigar o núcleo do que é o Banco Master”, afirmou.

Ele também mencionou a proposta de uma comissão parlamentar mista de inquérito.

“Tem também a CPMI, eu já assinei, nós estamos em etapa final de assinatura da deputada Heloísa Helena e da deputada Fernanda Melchiona”, completou;

Durante a entrevista, Correia também comentou o cenário político e alertou para o risco de agravamento das tensões institucionais.

“Se a gente não cuidar, pode inclusive debelar para uma crise institucional. E na crise institucional geralmente aparecem aventureiros ou salvadores da pátria que trabalham contra a democracia no Brasil.”

Ele destacou ainda a importância do papel do Supremo Tribunal Federal. “O papel do Supremo foi importantíssimo para manter a democracia no Brasil.”

Por fim, o deputado afirmou que setores da oposição tentam desviar o debate político. “Eles querem tirar do debate político a avaliação de como anda o Brasil... As coisas começam no governo Bolsonaro e vão terminar no nosso governo com investigações que a própria Polícia Federal tem feito”, concluiu.

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