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Rogério Correia: “Não adianta tentar lavar o BolsoMaster com detergente”

Deputado do PT relaciona Banco Master ao bolsonarismo e cobra investigação sobre Ciro Nogueira e aliados de Bolsonaro

Rogério Correia (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
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247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou, em entrevista ao Boa Noite 247, que o caso Banco Master deve ser tratado como um escândalo ligado ao bolsonarismo e cobrou investigação sobre a relação de figuras políticas com a instituição financeira. Segundo ele, o episódio expõe conexões entre o banco, governos estaduais, prefeituras e lideranças próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O Banco Master é o BolsoMaster. Foi um banco que cresceu à imagem e semelhança do governo Bolsonaro”, declarou Correia. O deputado associou a trajetória da instituição à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, indicado durante o governo Bolsonaro, e afirmou que o banco teria se expandido em meio a operações envolvendo recursos públicos e estruturas políticas alinhadas à direita.

Correia concentrou suas críticas em Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro. De acordo com o parlamentar, havia um requerimento para convocar Nogueira à CPI que tratava do tema, mas o pedido nunca foi colocado em votação. “Existia um requerimento pedindo a convocação de Ciro Nogueira, mas ele jamais foi votado. Ficaram escondendo Ciro Nogueira”, afirmou.

O deputado disse que as suspeitas envolvendo o ex-ministro precisam ser investigadas em razão dos valores citados nas denúncias. “Hotel de R$ 130 mil a diária, apartamento, mansão de R$ 30 milhões, R$ 500 mil por mês de propina. É o BolsoMaster”, afirmou. Correia também disse que o caso não pode ser tratado como episódio isolado. “É muito dinheiro gasto com corrupção nesse Banco Master, e Ciro Nogueira é parte integrante disso”, declarou.

Na avaliação do parlamentar, o caso envolve uma rede de interesses políticos e financeiros. Ele citou recursos de estados e prefeituras que, segundo sua versão, teriam sido direcionados ao banco. “O Banco Master foi se avolumando de dinheiro, colocando títulos podres no mercado e levando para dentro de si recursos que vinham de prefeituras e estados ligados ao bolsonarismo”, disse.

Correia mencionou o Amapá, o Rio de Janeiro, prefeituras de São Paulo e o Distrito Federal como exemplos de entes que, em sua avaliação, devem ser analisados nas investigações. “O Amapá está na lista porque houve recurso da previdência dos servidores indo para dentro do Banco Master. A mesma coisa ocorreu com Cláudio Castro, com várias prefeituras ligadas ao bolsonarismo e ao Tarcísio em São Paulo, e também com Ibaneis Rocha”, afirmou.

O deputado também criticou a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Segundo ele, a operação poderia ampliar o risco de prejuízo ao sistema financeiro. “O BRB chegou a colocar R$ 2,2 bilhões e iria comprar o Banco Master por R$ 12,2 bilhões. Não fosse o governo Lula, nesse caso o Banco Central sob Gabriel Galípolo, impedir essa manobra, o Banco Master poderia causar um rombo muito maior”, declarou.

Para Correia, a interrupção da operação impediu que o banco aumentasse sua capacidade de endividamento. “Se dependesse de Ciro Nogueira, o rombo poderia ser muito maior, porque aumentariam a capacidade de endividamento do Banco Master e o fundo que cobre prejuízos dos bancos teria que cobrir um prejuízo ainda maior”, afirmou.

O deputado também citou Flávio Bolsonaro ao falar do BRB. Segundo Correia, o senador teria obtido condições financeiras favoráveis para a compra de uma mansão. “O caso também envolve Flávio Bolsonaro, que no BRB conseguiu juros baixos para comprar uma mansão de R$ 6 milhões”, disse. Ele ainda associou o episódio a outras investigações envolvendo o entorno político da família Bolsonaro.

Ao resumir sua avaliação, Correia afirmou que o caso Banco Master se conecta a outros escândalos investigados no país. “A gente vai ligando as coisas, CPIs com escândalos, e dá sempre nos Bolsonaros”, disse.

Foi nesse contexto que o deputado usou a frase que marcou a entrevista. Ao criticar aliados bolsonaristas que fizeram propaganda de detergente após alerta sanitário da Anvisa, Correia relacionou o episódio ao esforço de desviar o foco das denúncias envolvendo o banco. “Não adianta tentar lavar essa porcariada com Ypê. Não adianta tentar lavar o BolsoMaster com detergente”, afirmou.

Para o parlamentar, a expressão resume a tentativa de encobrir responsabilidades políticas no caso. “É um escândalo que agora tem o carimbo na testa do bolsonarismo”, declarou.

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