Rui Falcão: Tarcísio é favorito, mas não é imbatível
Deputado diz que PT precisa acelerar definições para 2026, apresentar projeto de futuro e enfrentar vulnerabilidades do governador paulista
247 - O deputado federal Rui Falcão avaliou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entra na disputa de 2026 como favorito, mas afirmou que o cenário está longe de ser irreversível. Segundo ele, o campo progressista ainda pode construir uma candidatura competitiva no estado, desde que consiga organizar alianças, apresentar propostas consistentes e explorar fragilidades da atual gestão.
Em entrevista ao Boa Noite 247, Rui Falcão afirmou que a possibilidade de Fernando Haddad disputar o governo paulista é uma das notícias mais importantes para o PT no momento. “A primeira boa notícia é que o Haddad finalmente parece que tá aceitando ser nosso candidato a governador de São Paulo”, declarou. Na mesma linha, resumiu sua avaliação sobre a disputa: “Não existem candidatos imbatíveis, tem favoritos. O Lula é favorito, como o Tarcísio aqui é favorito em São Paulo”.
Ao comentar o quadro em São Paulo, o parlamentar disse que Tarcísio acumula problemas políticos e administrativos que podem ser explorados na campanha. Entre eles, citou dificuldades na relação com aliados, desgastes em torno da Sabesp e insatisfação de prefeitos com o governo estadual. “O Tarcísio tá com uma renca de problemas”, afirmou.
Rui Falcão foi especialmente crítico à situação da Sabesp após a privatização. Segundo ele, a companhia, antes lucrativa e eficiente, foi vendida em condições desfavoráveis e passou a apresentar piora no serviço. “A Sabesp é um desastre”, disse. Na entrevista, ele também mencionou aumento no preço da água, queixas sobre baixa pressão no abastecimento durante a madrugada e falta d’água em áreas periféricas.
Outro ponto levantado pelo deputado foi a expansão dos pedágios no estado, com críticas ao sistema de cobrança automática. Ele também afirmou que o distanciamento de Tarcísio em relação aos prefeitos pode se transformar em fator de desgaste político. Para Rui Falcão, há “uma bateria de vulnerabilidades para a gente debater na campanha”.
Na avaliação do petista, a disputa de 2026 não pode ficar restrita à discussão de nomes. Ele defendeu que o partido e o governo avancem na formulação de programas para os estados e para o país, com respostas voltadas principalmente ao eleitorado mais jovem. “A população mais jovem espera mudanças para além do que nós já fizemos”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Há uma necessidade de respostas para o futuro”.
O deputado disse ainda que abril deve representar um momento decisivo para a definição do quadro político, com o fechamento da janela partidária e a consolidação das chapas. “A etapa agora é a gente acabar de montar as chapas. Em abril você tem o quadro nítido, tem fecha a janela, você vê quem tá em cada lugar. E aí sair em campanha com ideias, não só com nomes”, declarou.
Durante a entrevista, Rui Falcão também relacionou a disputa eleitoral ao debate sobre direitos trabalhistas. Ele criticou a pressão de setores empresariais contra o fim da escala 6x1 e afirmou que há um movimento para adiar essa discussão para depois da eleição. Segundo ele, a proposta pode ampliar direitos de milhões de trabalhadores, especialmente no setor de serviços.
Ao abordar a conjuntura nacional, o parlamentar comentou ainda as investigações sobre o Banco Master e defendeu a apuração dos fatos. Ele afirmou ter assinado pedidos de CPI e CPMI e rejeitou a tese de que o PT estaria tentando impedir investigações. “Eu já assinei as CPIs do Banco Master, seja na Câmara, seja na CPI mista, porque acho que não tem o que esconder”, disse. Também citou a posição do presidente Lula ao afirmar: “Quem tiver alguma coisa devendo que pague”.
Rui Falcão condenou os vazamentos de informações sigilosas, mas afirmou que é necessário distinguir manipulação de fatos comprovados. “Eu condeno os vazamentos, evidente. Agora, há vazamentos e vazamentos”, declarou. Para ele, é preciso separar ilações de informações documentadas, para que não se produza uma generalização que contamine todo o ambiente político.
Segundo o deputado, a sucessão de denúncias, somada à cobertura da grande mídia, pode reforçar na população a percepção de que a política está inteiramente associada à corrupção. “Isso vai criando um caldo para a população”, afirmou. Na sequência, alertou para o risco de esse ambiente alimentar a descrença na democracia e abrir espaço para candidaturas aventureiras.
No início da entrevista, Rui Falcão também manifestou solidariedade a jornalistas citados no programa e demonstrou preocupação com ameaças relatadas durante a conversa. Em tom de alerta, afirmou: “Cuidem-se, por favor. O cara não é só golpista não, o cara é mafioso”. Em outro momento, ao comentar a possibilidade de violência contra profissionais da imprensa, reforçou: “Isso é tentativa de homicídio, é um bandido”.
Na parte final, o deputado avaliou que o campo progressista precisa intensificar o enfrentamento político e programático contra adversários da direita. Ao comentar o crescimento de Flávio Bolsonaro em pesquisas citadas pelos entrevistadores, afirmou que o embate não deve se limitar ao histórico pessoal do senador, mas alcançar também seu projeto econômico. “Mais que falar disso também é preciso combater as ideias dele e contrapor as nossas. Já é tempo de fazer isso”, disse.
Rui Falcão também cobrou maior presença de ministros e lideranças do governo em veículos independentes e defendeu mais apoio a esse campo de comunicação. Para ele, a disputa eleitoral será marcada por forte tensão política. “Vai ser uma campanha de guerra”, afirmou, ao defender mais iniciativa e rapidez na ação do campo governista.


