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“Sem organização nas redes, teremos mais dificuldade política”, diz Paulo Okamotto

Ex-presidente da Fundação Perseu Abramo destaca papel da plataforma Pode Espalhar na organização da comunicação progressista e no combate às fake news

“Sem organização nas redes, teremos mais dificuldade política”, diz Paulo Okamotto (Foto: Divulgação/PT)
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247 - O ex-presidente da Fundação Perseu Abramo e do Instituto Lula, Paulo Okamotto, afirmou que a esquerda precisa ampliar sua organização digital para enfrentar a extrema direita nas redes sociais e combater a disseminação de fake news no ambiente político brasileiro.

Fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) ao lado do presidente Lula nos anos 1980, Okamotto participou da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, como tesoureiro. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, ele avaliou os desafios da comunicação política no ambiente digital e destacou a criação da plataforma “Pode Espalhar” como uma das estratégias para fortalecer o campo progressista.

“O povo já percebe que tem muita bobagem nas redes. Então, eu acho que quem fala coisa com coisa, quem fala coisa séria, acaba sendo levado mais a sério”, afirmou.

Segundo Okamotto, a extrema direita possui vantagem estrutural nas plataformas digitais por contar com maior capacidade financeira e apoio de setores econômicos interessados em barrar pautas progressistas.

“A direita, a extrema-direita, eles têm muito mais condições econômicas”, declarou. Para ele, grupos conservadores utilizam algoritmos, impulsionamento e estruturas profissionais de comunicação para influenciar a opinião pública e atacar propostas defendidas pela esquerda.

“Você vai encontrar adversários poderosos do outro lado que vão usar as redes sociais, vão usar os algoritmos, vão usar o que tiver para combater essa ideia dentro da sociedade brasileira”, disse.

Plataforma 'Pode Espalhar' articula comunicação

Durante a entrevista, Okamotto explicou o funcionamento da plataforma “Pode Espalhar”, criada para reunir organizações de esquerda, movimentos populares, sindicatos e militantes em uma estratégia coordenada de distribuição de conteúdo político.

“O objetivo principal do Pode Espalhar foi juntar um conjunto de organizações de esquerdas progressistas para que a gente pudesse ter uma rede importante”, afirmou.

Segundo ele, a iniciativa produz materiais voltados ao combate às fake news, à divulgação de pautas progressistas e à mobilização digital nas diferentes plataformas.

O dirigente explicou que a estrutura funciona com equipes responsáveis por monitoramento político, relacionamento com lideranças e distribuição segmentada de conteúdos para parlamentares, dirigentes sindicais, influenciadores e militantes.

“É uma metodologia de comunicação, de organização, de mobilização e de formação política”, declarou.

Okamotto também destacou o papel do WhatsApp na disputa política contemporânea e afirmou que a plataforma possui grande capacidade de mobilização social.

“O WhatsApp é uma rede muito poderosa”, disse.

Segundo ele, o projeto busca orientar militantes sobre a melhor forma de utilizar grupos familiares, comunitários e políticos sem transformar os espaços em ambientes exclusivamente partidários.

“Você não vai ficar mandando dez materiais no grupo de família falando só de política”, afirmou.

Ele explicou que a proposta é estimular formas mais eficientes de diálogo político, utilizando conteúdos adaptados para cada rede social, incluindo vídeos, figurinhas, cards e materiais curtos.

Inteligência artificial e impulsionamento preocupam dirigente

Ao comentar o avanço da inteligência artificial nas campanhas políticas, Okamotto afirmou que a tecnologia pode ser usada tanto para ampliar o acesso à informação quanto para espalhar desinformação.

“Todas essas ferramentas que foram criadas pela sociedade servem para o mal e servem para o bem”, declarou.

O dirigente também criticou o impulsionamento político sem controle nas plataformas digitais e defendeu maior regulamentação das big techs.

“Se ficar livre o impulsionamento, só vai poder retirar por decisão judicial, nós avacalhamos com as eleições”, afirmou.

Segundo Okamotto, a resposta ao avanço das fake news passa pela construção de redes baseadas em credibilidade e relacionamento social.

“As pessoas levam mais a sério gente da família do que notícias que vêm pela televisão”, disse.

Ao final da entrevista, ele defendeu maior engajamento dos setores progressistas na disputa política digital.

“Milagre é trabalhar muito”, afirmou.

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